Março
Bordado
por: Vani Luiza
Cipriano
Conto: Marama e o Rio dos
Crocodilos
Autor: Conto Africano
Desenho: Demóstenes Vargas
Contato: vanicipriano@gmail.com
55 (31) 3226 8207
Fotografia, arte e produção: Henry Yu
Marama e o Rio dos
Crocodilos
Marama era uma
menininha e, quando seus pais morreram, o chefe da tribo a entregou aos
cuidados de uma das mulheres de aldeia. Mas era uma mulher má que batia na menina,
não lhe dava nada para comer e só pensava em como se livrar dela. Um dia, ela deu
a Marama um pilão pesado, que se usa para descascar arroz, e lhe disse:
- Vá ao rio dos
Crocodilos Bama-Bá e lave este pilão para eu poder usá-lo para descascar arroz.
Marama se pôs a
chorar, porque o rio era muito afastado, era muito profundo e
caudaloso, cheio de
cobras e crocodilos. As pessoas tinham medo de ir até lá e só ás gazelas e os
leões iam lá beber. Porém, Marama tinha tal medo de sua madrasta ruim, que
pegou o pilão e foi-se embora. No caminho para a floresta ela encontrou um
leão. Ele sacudiu sua juba e rosnou com uma voz terrível:
- Como você se chama
e para onde você vai?
Marama estava com
medo mortal, mas cantou com sua doce voz:
Marama é meu nome
E não tenho mãe...
Vou ao rio
Para lavar este
pilão.
Ao rio dos
Crocodilos
Minha madrasta me
mandou.
Lá só vão gazelas
E leões para beber.
Lá dormem cobras e
crocodilos.
- Então vá, Marama,
menina sem mãe! - disse o leão. Vá e não tenha medo. Vou cuidar para que as
gazelas e os leões não incomodem você quando forem beber.
Marama continuou seu
caminho e, quando chegou ao rio, um crocodilo horrendo e velho surgiu na sua
frente, abrindo sua enorme boca, seus grandes olhos vermelhos lhe saindo da
cabeça.
- Qual é seu nome e
para onde você vai? – perguntou.
Marama estava com
medo mortal, mas cantou com sua doce voz:
Marama é meu nome
E não tenho mãe...
Vou ao rio
Para lavar este
pilão.
Ao rio dos
Crocodilos
Minha madrasta me
mandou.
Lá só vão gazelas
E leões para beber.
Lá dormem cobras e
crocodilos.
- Então vá, Marama,
menina sem mãe! – disse o crocodilo. Lave seu pilão e não fique espantada. Vou
cuidar para que as cobras e os crocodilos que vivem no rio não incomodem você.
Marama ajoelhou-se
na beira do rio e começou a lavar o pilão. Mas estava tão pesado, que lhes
escapou das mãos, desaparecendo na água. Marama começou a chorar, porque não
podia voltar para casa sem o pilão. De repente, surgiu na água um crocodilo que
lhe estendeu um novo pilão, limpinho e branquinho, incrustado de ouro e prata.
- Leve este pilão
para casa, Marama, menina sem mãe, e mostre-o a toda aldeia, a fim de que todo
mundo saiba que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.
Marama lhe agradeceu
e voltou para casa. No caminho, encontrou de novo o leão.
- Deixe-me pegar o
pilão, Marama, menina sem mãe – disse ele. É pesado demais para você. Vou
levá-lo até sua casa, assim todo mundo vai saber que o poderoso Subara, rei do
rio dos crocodilos é seu amigo.
Quando Marama chegou
em casa, a madrasta admirou muito o pilão e lhe perguntou onde o havia
encontrado. Marama apenas lhe contou que o tinha encontrado no rio dos crocodilos.
Então a madrasta pegou outro velho pilão de arroz, afim de também encontrar um
novo, branquinho e incrustado de ouro e prata. No caminho para a floresta,
encontrou-se com o leão. Meneando a juba, ele rugia com voz terrível:
- Quem é você e para
onde vai?
A mulher má teve
tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra, pôs se a correr a não mais
poder. O leão a seguiu com seus olhos até ela desaparecer entre as árvores, e depois
simplesmente levantou os ombros. Quando chegou ao rio, um velho, horroroso crocodilo
lhe atravessou o caminho, abrindo uma enorme boca, seus olhos vermelhos e grandes
lhe saindo da cabeça.
- Como você se chama
e para onde vai? – perguntou.
A mulher má teve
tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra e foi pela beira do rio. Não
foi muito longe. De todos os lados, os leões e as gazelas que vinham beber no
rio a cercaram, assim como as cobras e os crocodilos que viviam no rio, e todos
cantavam em coro:
Marama, a menina sem
mãe,
pode vir lavar
seu pilão no rio,
pois o poderoso
Subara,
rei do rio,
é seu amigo.
Mas para você,
mulher má,
o rio dos crocodilos
significa a morte!
E assim foi.
Vaní Luiza Cipriano
Marama e o Rio dos
Crocodilos
Conto africano
In: O Quê Conta o
Conto?
Jette Bonaventure.
Ed. Paulus.
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