A Fada das Ervas Medicinais
Bordado por: Silvania Araújo
Conto: A Fada das Ervas Medicinais
Autor: Conto Chinês
Desenho: Murilo Pagani
Contato: silvaniamar@gmail.com
Fotografia, arte e produção: Henry Yu
Desenhos baseados nas ilustrações de
Veruschka Guerra, de livros de contos da Editora Paulus.
No seio das montanhas, vive a fada das ervas
medicinais, chamada Abelha, que reina sobre todas as plantas das montanhas. A
fada, que canta maravilhosamente, nunca recusa ajuda aos pobres que colhem
essas ervas, mas que também, muitas vezes, castiga os gananciosos e os
invejosos.
A fada era criada na corte real, dominada por um
rei rico e cruel. Abelha não o temia, quando não tinha vontade de fazer chá,
não o fazia. Mas, seu chá e doces eram incomparáveis, por isso, estava sob a
proteção particular do rei. Ela andava pelo palácio com seu vestido de burel,
tecido grosseiro, e uma flor nos cabelos e sua beleza irradiava, apesar de não
ser atraída pelas distrações da corte. Abelha preferia a solidão das montanhas.
Alegrava-se com o canto dos pássaros e das cigarras, e colhia ervas. Usava-as
para tratar dos pobres e dos animais doentes.
Após um período de boas colheitas, o vento soprou
espalhando uma terrível doença que matou velhos e crianças. O rei temendo o
pior para si e seu circulo mandou fechar as portas da cidade. Nem mesmo os
pássaros podiam sobrevoar o palácio.
Para partir da cidade, Abelha utilizou uma tina,
enfeitou-a de flores e saiu flutuando por um canal que ia dar num rio de águas
profundas. A jovem logo avistou a montanha, coberta de flores. Aproximou-se da
margem, pulou na beira do rio, e passou a colher as flores, enchendo seu
cesto.
De repente, uma maravilhosa garça-real branca
desceu das grandes nuvens, pousou em um rochedo, transformando-se em um cervo,
que saltou em sua direção e desmaiou. No seu lugar estava um moço, o Espírito
das ervas que vivia nas montanhas, conhecedor das ervas raras. Assim, os dois
subiram as encostas das montanhas, até o cume, onde contemplaram um mar de
nuvens brancas. As ervas raras florescem
apenas uma vez por ano e, algumas, só abrem a cada sete anos. Abelha colheu as
ervas raras para curar as pessoas da peste e prometeu retornar para junto do
Espírito das ervas. Assim, que curou os doentes, foi viver feliz com seu esposo
nas montanhas, onde despertavam os pássaros com seu canto. Viviam juntos na
felicidade.
Enquanto isso, o rei estava furioso com a ausência
de Abelha e procurou o feiticeiro para elaborar um plano maquiavélico. O
inverno chegou, com gelo e neve. Abelha sentia um frio terrível, nada conseguia
aquecê-la. O Espírito das ervas comprou um casaco de peles do feiticeiro do
rei. Imediatamente, ela parou de tremer, sorriu e jogou o casaco nos ombros do
marido. No mesmo instante, uma enorme pedra de gelo se fundiu até o vale. O
Espírito das ervas desapareceu e, no seu lugar, surgiu uma concha que rolou até
o mar e foi cair nas profundas águas. Abelha chorou dias e noites, maldizendo o
feiticeiro do rei. Seus lamentos foram ouvidos pelo Espírito, que pediu para
ela todos os anos, na primavera, no precipício, quando o vento tornar
límpida as águas, curva-se sobre elas
para vê-lo. Ela poderia ficar cuidando
das plantas nas montanhas.
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