Ali Babá e os Quarenta Ladrões
Bordado por: Eleonora de Fátima Andrade
Conto: Ali
Babá e os Quarenta Ladrões
Autor: Conto
das Mil e Uma Noites
Desenho: Murilo
Pagani
Contato: eleonora.andrade@hotmail.com
55(31) 99821 6887
Fotografia, arte e produção: Henry Yu
Desenhos baseados nas
ilustrações de Veruschka Guerra, de livros de contos da Editora Paulus.
Numa cidade da antiga Pérsia viviam os irmãos Cassim e Ali Babá. Cassim era um dos comerciantes de tecidos mais ricos da cidade, mas Ali Babá vivia na pobreza e tinha de cortar lenha numa floresta para sustentar a família.
Um dia, Ali Babá estava cortando lenha
quando viu uma nuvem de poeira. Percebeu que homens a cavalo se aproximavam;
com medo que fossem bandidos, subiu numa árvore, junto a um grande rochedo, e
se escondeu em meio à folhagem. Do alto da árvore podia ver tudo sem ser visto.
Chegaram quarenta homens muito fortes e bem armados de espadas. Ali Babá
concluiu que eram ladrões. Os homens desapearam dos cavalos e puseram no chão
sacos pesados. O que parecia ser o chefe, aproximou-se da rocha e disse:
“Abra-te, Sésamo!”
Assim que essas palavras foram
pronunciadas, abriu-se uma porta na caverna. Todos passaram por ela, entraram
na caverna, e a porta se fechou novamente. Depois de muito tempo, a passagem da
caverna voltou a se abrir, e por ela saíram os quarenta ladrões. Quando todos
estavam fora, o chefe disse: “Feche-te, Sésamo!”
Ali Babá seguiu os bandidos com os
olhos até desaparecerem. Quando se viu em segurança, desceu da árvore,
dirigiu-se à rocha e disse: “Abra-te, Sésamo!” A porta se abriu e Ali Babá
ficou sem palavras diante do que seus olhos viram: uma grande caverna cheia dos
tecidos mais finos, tapetes belíssimos, joias esplêndidas e uma enorme
quantidade de sacos de moedas de ouro e prata.
Ali Babá entrou com os três burros que
costumava levar quando ia cortar lenha carregou os animais com sacos de moedas
de ouro e joias e voltou para casa. Contou à esposa tudo o que acontecera,
recomendando-lhe que mantivesse segredo absoluto. Quando Ali Babá falou em
esconder as moedas num buraco, a mulher disse: “Boa ideia, mas antes quero
contar quantas moedas de ouro temos. Vou pedir um medidor ao vizinho, enquanto
você cava o buraco.”
O vizinho era Cassim. Sua mulher achou
estranho e, para descobrir o que Ali Baba precisava medir, melecou o medidor
com cola. A esposa de Ali Baba devolveu o medidor sem perceber que uma moeda de
ouro ficara colada. Quando Cassim chegou em casa, a mulher lhe disse: “Você
pensa que é rico, Cassim, mas Ali Babá, seu irmão, tem que medir ouro com
medidor!”
Cassim foi até a casa do irmão e
ameaçou denunciá-lo à polícia, se ele não lhe contasse tudo. Ali Babá, então,
contou. Na manhã seguinte, bem cedo, Cassim dirigiu-se à caverna sozinho, com
dez burros, disposto a voltar carregado de ouro. Ao chegar à porta do rochedo,
disse: “Abra-te, Sésamo!” Que surpresa e contentamento ele sentiu ao ver
tesouros que ele nem em sonho poderia imaginar! Carregou os burros de tudo o
que podiam levar e ficou tão extasiado que, ao sair, disse: “Abra-te, Cevada!”
A porta continuou fechada. Cassim se deu conta que esquecera a palavra mágica
para abrir a passagem. Apavorado, tentou outras frases, mas não conseguia
acertar! E ficou preso lá dentro da caverna. Por volta do meio-dia, os ladrões,
pronunciaram as palavras mágicas e entraram. Imediatamente mataram Cassim e,
para que ninguém ousasse se aproximar novamente, cortaram o corpo em quatro
partes e o deixaram pendurado lá dentro.
A esposa de Cássim ficou muito
preocupada quando viu cair a noite sem que seu marido regressasse. Foi à casa
do cunhado e expressou seus temores. Ali Babá, suspeitando de que algo grave
acontecera, foi para a caverna. Quase desmaiou quando viu o corpo do irmão
cortado em pedaços. Recolheu-os em dois sacos e voltou para a cidade com a
intenção de sepultá-los. Os ladrões ficaram espantados ao retornar à caverna e
não avistarem o corpo. Disse o chefe: “Precisamos dar um jeito nisso, ou
perderemos todas as nossas riquezas. O corpo desaparecido mostra que duas
pessoas conseguiram descobrir nosso segredo: liquidamos uma delas, agora
precisamos acabar com a outra.” Um dos ladrões foi à cidade, com a missão de
descobrir quem era a pessoa que sabia do segredo.
Havia um sapateiro na cidade, muito
trabalhador e querido, chamado Mustafá. Ali Babá o encarregara de costurar o
corpo do irmão Cássim para o enterrar com decência. Por uma infeliz
coincidência, foi justamente esse sapateiro que o ladrão primeiramente viu ao
chegar à cidade de manhãzinha, pois a loja do sapateiro era a única aberta
àquela hora. O ladrão o cumprimentou e disse: “O senhor começa seu trabalho
muito cedo! Na sua idade, não sei como consegue enxergar para costurar esses
sapatos!” Mustafá respondeu: “Apesar de velho, meus olhos são muito bons. Há
pouco costurei um morto num lugar que tinha menos luz que esta minha loja!” O
ladrão deu duas moedas de ouro na mão do sapateiro, rogando-lhe que dissesse
onde ficava a casa em que ele costurara o morto. Mustafá levou o ladrão até a
frente da casa de Cássim, que agora pertencia a Ali Babá. O ladrão pegou um
pedaço de giz, fez uma cruz na porta e foi-se embora
A esposa de Cássim tinha uma empregada
muito bonita e esperta, chamada Morjana. A moça, ao sair da casa, notou o sinal
e desconfiou de alguma tramoia. Pegou um pedaço de giz e marcou com o mesmo
sinal três portas à direita e mais três à esquerda. Quando os ladrões chegaram,
não souberam dizer qual era a porta certa. O chefe resolveu ele mesmo se
encarregar da missão. Foi à cidade, encontrou Mustafá o sapateiro, mas diante
da casa de Ali Babá limitou-se a observá-la cuidadosamente, examinando cada
detalhe que a distinguia das outras. Mandou comprar grandes tambores para
guardar azeite. Encheu de azeite apenas um deles. Seus homens entraram nos
outros, fortemente armados. Em cada tambor, havia pequenos buracos para que
pudessem respirar.
O chefe chegou à casa de Ali Babá.
“Venho de muito longe e vim à cidade para vender meu azeite. Eu preciso dar
algum descanso para as minhas mulas. O senhor não poderia me abrigar em sua
casa só por esta noite?” Ali Babá aceitou amigavelmente, jantaram e se
recolheram. Os tambores foram descarregados das mulas. Morjana estava cuidando
do serviço de casa quando, de repente, as lâmpadas se apagaram. Não havia mais
azeite na casa. Sabendo que o hospede trazia azeite, Morjana resolveu pegar um
pouco num dos tambores. Aproximou-se de um barril e ouviu o ladrão que estava
escondido dentro dele perguntar, baixinho, pensando que era o chefe: “Já está
na hora?” Assustada, Morjana percebeu que em vez de azeite aqueles tambores
escondiam bandidos perigosos. Criou coragem e, imitando a voz do chefe, disse:
“Ainda não é hora. Tenha paciência." Morjana foi de tambor em tambor,
dando sempre a mesma resposta. O último tambor continha azeite de verdade.
Morjana encheu um jarro. Numa grande panela ferveu azeite. Depois, indo de
tambor em tambor, derramou o líquido fervente sobre cada bandido, matando-os
todos.
À meia-noite, o chefe se levantou da
cama e foi chamar seus homens. Sentindo cheiro de carne queimada, abriu os
tambores, mas só encontrou cadáveres. Temendo pela própria vida, fugiu
correndo. Disposto a se vingar de qualquer maneira, arquitetou um plano. Fez-se
passar por um comerciante e tornou-se amigo do filho de Ali Baba. Um dia, Ali
Babá se encarregou de preparar um grande banquete para o amigo do filho.
Morjana, que servia à mesa, reconheceu o chefe dos ladrões e soube que desejava
atacar seu patrão. Ela se vestiu de dançarina, colocou um punhal no cinto e
cobriu o rosto com um véu. Chamou um músico e os dois entraram na sala do
banquete, pedindo permissão para se apresentarem.
O hóspede fingiu estar encantado com
aquela proposta. O músico pôs-se a tocar e Morjana a dançar com passos e
movimentos delicados. Depois, a dançarina passou para um novo tipo de dança,
tomando do punhal. Aproximou-se do bandido e cravou o punhal em seu coração.
Então, contou ao patrão o que descobrira. Mais uma vez, Ali Baba fora salvo
pela empregada. Agradecido, disse: “Você me salvou por duas vezes; agora eu lhe
darei muito ouro. Mais: em recompensa por sua lealdade, você será minha nora.”
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