domingo, 23 de novembro de 2025

Junho - João e Maria

Junho

João e Maria

Bordado por: Wânia Lúcia Martins Abreu

Assessoria: Simone Prado @spradoartes

Autor: Irmãos Grimm, 1852

Desenho e aquarela: @spradoarte

Contato: wlm.abreu@gmail.com

                 @waniaabreu

                 55 (31)99125.4644

Fotografia, arte e produção: Henry Yu


João e Maria

  João e Maria eram irmãos que viviam com seu pai e sua madrasta em uma pequena cabana na floresta. Sua madrasta era cruel e convenceu o pai de que os dois eram um fardo para a família, “você deveria abandoná-los na floresta” dizia a Madrasta.

  O pai, relutante, concordou com o plano. Antes de partir, João e Maria ouviram a conversa, e prevendo o que aconteceria, João encheu os bolsos de pedras brancas. Quando foram levados para a floresta, João jogou as pedras no caminho, criando um rastro que os levaria de volta para casa. E dito e feito, conseguiram.

  No entanto, a Madrasta não satisfeita, fez com que o pai os levasse novamente a floresta. Só que dessa vez eles não conseguiram pegar pedras como da primeira vez, pois o pai trancou a porta. Mas João era esperto e usou migalhas de pão para marcar o caminho, e assim fez, mas os pássaros comeram as migalhas e eles se perderam na floresta.

  Depois de caminhar por dias, João e Maria encontraram uma casa feita de doces e bolos. A casa pertencia a uma bruxa má que atraía crianças para comê-las. A bruxa capturou os dois prometendo doces e guloseimas, e prendeu João em uma jaula e forçou Maria a fazer todo o serviço de casa. Alimentava os irmãos com doces, para engordá-los, a bruxa planejava comer os dois começando por João. Todos os dias ela verificava através das grades se já estaria gordinhos o suficiente. Mas Maria foi esperta e enganou a bruxa, num momento de descuído, ela empurrou a bruxa para dentro do forno e trancou a porta rapidinho e a bruxa ficou presa gritando até não ter mais força.

  Com a bruxa morta, João e Maria encontraram doces, bolos e balas por toda a casa. E conseguiram achar um tesouro valioso. Eles também encontraram um ganso mágico que os ajudou a atravessar um rio. Ao chegarem em casa, descobriram que a madrasta havia morrido e foram recebidos de braços abertos pelo pai, que procurou por eles durante um bom tempo, chorava muito pois havia se arrependido de tê-los abandonado.

  A partir de então, João e Maria viveram felizes com o pai, usando o tesouro que encontraram para viver bem e felizes.

Julho - Lendas dos Sete Mares

Julho

Lendas dos Sete Mares

Bordado por: Amarilis Bracher

Autor: Mitologias de povos antigos

Desenho: Amarilis Bracher

Contato: amarilisbracher@gmail.com

                55 (31) 98523.6215

Fotografia, arte e produção: Henry Yu



Lendas dos Sete Mares

 Desde tempos imemoriais, o ser humano procura entender e explicar o desconhecido. E o mar, poderoso e implacável, escondendo tantos perigos e enigmas, o atrai e repele, provocando fascínio e medo, tornando-se fonte inesgotável de elementos que moldam, no seu imaginário, toda série de monstros e divindades que se perpetuam através das histórias contadas de geração em geração.

 Avistamentos de lulas gigantes, baleias enormes e tubarões ferozes, inspiram as histórias aterrorizantes de um Kraken, por exemplo (oriundo da mitologia nórdica), que afunda os navios com seus tentáculos gigantes, ou do Leviatã (das tradições bíblicas), com todo o seu poder demoníaco.

 São também recorrentes as lendas de gigantescas serpentes marinhas que se enroscam em navios e os destroem, ou de peixes monstruosos e vorazes, com formas bizarras e assustadoras, ou então de criaturas híbridas, como dragões marinhos dotados de asas.

 Sereias e seu canto hipnótico, atraindo navegantes desavisados para o fundo do mar, dividem espaço com Tritões, Quimeras e outros seres do vasto panteão greco-romano e de outras mitologias.

 E não faltam relatos de navios fantasmas, condenados a vagar eternamente pelos sete mares, prenunciando desastres e invocando maldições...

 Especificamente, a expressão "Lendas dos sete mares" evoca uma tradição marítima antiga que dividia em sete, os mares do mundo conhecido. Mais tarde, graças a histórias e personagens relevantes, como Sinbad, o Marujo, das" Mil e uma Noites", que navegava por esses sete mares transportando suas mercadorias, essa expressão popularizou-se, indissoluvelmente ligada à narrativas de aventuras em busca de emoções e perigos, tesouros perdidos, piratas e mundos inexplorados.

 Amarilis Bracher/ 2025

Agosto - A Menina e o Pássaro Encantado

Agosto

A Menina e o Pássaro Encantado

Bordado por: Sandra Carvalho Procópio

Autor: Rubem Alves

Desenho: Irlayne Horta Andrade

Aquarela: Simone Prado

Contato: @sandracarvalhoprocopio

                 55 (31)99866.0537

Fotografia, arte e produção: Henry Yu


A Menina e o Pássaro Encantado

 A história fala de uma menina e um pássaro mágico que se amam profundamente. O pássaro, porém, não pode viver preso. Ele precisa voar livremente, e por isso vai embora em longas viagens pelo mundo. A menina sente saudade, chora, mas entende que se o prendesse, ele perderia sua essência e deixaria de ser encantado.

 Sempre que parte, o pássaro promete voltar. Ele traz notícias e histórias de terras distantes, alimentando o coração da menina com lembranças e esperanças. A espera se torna uma mistura de dor e alegria: dor pela ausência, alegria pela certeza do reencontro.

Setembro - A Árvore das Lembranças

Setembro

A Árvore das Lembranças

Autora : Britta Teckentrupp

Bordado por: Verônica Matta Machado

Desenho: Liana Valle

Contato: veronicagmm@gmail.com

Fotografia, arte e produção: Henry Yu




A Árvore das Lembranças

 Trata-se da historia de uma raposa, que levou uma vida longa e feliz na floresta com outros bichos, seus amigos queridos, a coruja, o rato, o coelho, o urso, os pássaros, o esquilo, e muitos outros.

 Um dia ela estava muito cansada e escolheu uma clareira na sua adorada floresta, onde pela ultima vez, se deitou, fechou os olhos, respirou fundo e caiu no sono para sempre. Começou a nevar e um delicado cobertor de neve se estendeu sobre ela. Seus amigos ficaram tristes e reuniram-se na clareira em volta dela para relembrar os momentos felizes que viveram juntos.

 A raposa havia deixado sua marca na vida de cada um dos bichos da floresta e eles sorriam ao se lembrar dela. Uma plantinha brotou bem no lugar onde a raposa tinha se deitado. A cada historia contada ela crescia, ganhando força e ficando cada vez mais bonita. Ao amanhecer, a plantinha havia se tornado uma pequena árvore e seus amigos entenderam que a raposa ainda era parte deles. Quanto mais se lembravam dela, mais a árvore crescia, uma árvore feita de lembranças e cheia de amor.

 E assim, a raposa continuou para sempre nos corações de seus amigos.

 Para trazer a historia para a vida de bichos e floresta do Brasil, escolhemos o cerrado, epreferimos contar a história trocando a raposa por um lobo guará, e seus amigos são:um tatu canastra, uma capivara, um veado campeiro, uma cobra coral, uma ema, umtamanduá bandeira, um lagarto ou calango verde, uma onça pintada, uma seriema euma arara carindé. Salve o cerrado.

Outubro - A Bonequinha Preta

Outubro

A Bonequinha Preta

Bordado por: Alda Andrade

Autor: Alaíde Lisboa de Oliveira

Desenho: Murilo Pagani

Contato: aldaluciad@gmail.com

                 55 (31)99993.1286

Fotografia, arte e produção: Henry Yu



A Bonequinha Preta

 Conta a história da boneca preta amada pela menina Mariazinha. Ao ser deixada em casa, a boneca desobedece ao pedido para não chegar à janela e acaba caindo dela. Ela é resgatada por um verdureiro e devolvida em segurança à Mariazinha, que se alegra ao reencontrar sua amiga.

 O livro é um marco da literatura infantil brasileira por trazer uma personagem negra e valorizá-la, sendo usado hoje para discutir a importância do respeito à diversidade racial e o combate ao preconceito. 

Novembro - A Mulher Ramada

Novembro

A Mulher Ramada

Bordado por: Marie-Thérèse Pfyffer

Autor: A Mulher Ramada

Desenho: Demóstenes Vargas

Contato: @mtpfyffer

Fotografia, arte e produção: Henry Yu



A Mulher Ramada

  Se sentindo só no jardim do qual cuidava, o jardineiro plantou duas belas mudas de rosas e deu-lhes o semblante de uma mulher, a sua amada, Rosamulher. Na primavera podou todas as rosas que poderiam distrair da beleza desta forma. Mas o jardineiro adoeceu e ficou longos dias acamado. Quando voltou para o jardim, a encontrou florida e mais linda ainda. Então a abraçou e ela o envolveu em perfume e flores.

 COLASANTI, M. Doze reis e a moça no labirinto do vento. 12.ed. São Paulo: Global Editora, 2006.

Dezembro - A Rainha das Neves

Dezembro

A Rainha das Neves

Autor: Hans Christian Andersen

Bordado por: Rosângela P. M. Gualberto

Colaboração: Malu Furtado e Vaní Cipriano

Desenho: Murilo Pagani

Contato: 55 (31)98772.8302

Fotografia, arte e produção: Henry Yu



A Rainha das Neves

 Kay e Gerda eram duas crianças muito felizes e pobres, pois moravam com suas famílias em um sótão do lado um do outro em uma grande cidade. Eram muito amigos, inseparáveis. Mas um dia um estilhaço de um espelho – enfeitiçado por um duende mal – caiu no olho de Kay e ele se tornou uma criança que não via mais beleza em nada, uma pessoa fria e desalmada.

 Ele estava na praça da cidade com seu trenó num dia muito nevado quando a Rainha da Neve o levou para seu palácio de gelo, muito frio e amplo, com paredes de neve acumulada e iluminado pela aurora boreal. Manteve Kay aí com muitos beijos para ele não sentir frio e a missão de descobrir uma palavra magica.

 Gerda, sentindo muita falta do amigo, saiu pelo mundo a procura dele, achando que ele podia até ter morrido. Passou por muitos lugares e encontrou muitas pessoas que foram dando informações de onde ele poderia estar. Foi ao jardim de uma velha senhora, que entendia de feitiçaria. Conheceu um príncipe e uma princesa, uma pequena ladra e, finalmente, a mulher da Lapônia Finlandesa, que ensinou muitas coisas e lhe deu renas para chegar no palácio da Rainha das Neves onde Kay poderia estar.

 Quando Gerda chegou no palácio, a Rainha das Neves não estava pois tinha saído para olhar o Vesúvio e o Etna nas terras quentes. Kay estava sentado sozinho no salão de gelo, já azul, mas não sentia frio por causa dos beijos da Rainha das Neves, e seu coração já era um pedaço de gelo.

 Gerda correu para ele, gritando seu nome de felicidade, e o abraçou. Mas ele estava entorpecido e gelado. Ela cantou a canção dos dois e derramou tantas lágrimas no peito dele que derreteram o gelo do seu coração. Kay explodiu em lágrimas e o estilhaço de espelho de vidro saiu dos seus olhos, fazendo com que ele reconhecesse Gerda. Foi um encontro lindo e imediatamente a palavra mágica apareceu escrita no gelo. Gerda e Kay se deram as mãos, subiram nas renas e voaram para fora do palácio. Devolveram as renas para a mulher da Lapônia e voltaram para suas casas, fazendo a alegria das suas famílias.

 




segunda-feira, 25 de novembro de 2024

CALENDÁRIO 2025

 Somos 12 bordadeiras, que se dedicam a bordar cada uma, um mês um conto, uma estória, uma lenda! 

Com as linhas traçando a magia dos contos, damos formas a essa mágica viagem!

Um grande sucesso para presentear com um toque de magia, contos, pontos e panos! 

Faça seu pedido com as bordadeiras abaixo. 
Os contatos estão em cada mês com as respectivas bordadeiras!





Cobra Honorato - JANEIRO

 Cobra Honorato


Bordado por: Regina Celi de Deus Vieira Cavalcanti Silva
Lenda amazônica
Desenho: Carla Rodrigues Andrade
Contato: reginacelicavalcanti@gmail.com
55 (31)99953.8711
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


Raul Bopp

Conta a lenda que ...

Uma índia Tapuia teve filhos gêmeos nas margens do Cachoeiri, entre os rios Amazonas e Trombetas nas proximidades da cidade de Óbidos/PA.

Gerados no ventre humano, os lendários recém-nascidos vieram ao mundo com forma de duas serpentes e ganharam os nomes de Norato e Maria Caninana.

Cobra Norato era uma cobra d’água, uma serpente forte e boa. Salvava muitas pessoas e peixes. Enquanto Maria Caninana era má, violenta, fazia maldades, como afundar barcos e ferir os animais.

Cobra Norato, tomando consciência de todas as maldades e sofrimentos que sua irmã causava, não só aos humanos como também aos entes fantásticos e animais dos rios, se viu na obrigação de repreendê-la. O desentendimento dos gêmeos culminou numa luta terrível no meio do rio, e Cobra Norato matou a irmã.

Cobra Norato passava o dia como cobra, nadando esperando a chegada da noite. Quando a lua surgia no céu, ele saía da água, arrastando o corpo pela areia, e virava homem. Ao amanhecer enfiava-se novamente no couro de cobra que deixara na margem e mergulhava nas águas do rio.

Norato em forma humana visitava a mãe, fazia amigos e namorava. Nutria o sonho de manter-se com aparência humana. Havia um modo dele desencantar e se livrar da maldição: alguém precisava derramar leite humano em sua boca e, com um golpe de ferro virgem, furar a sua cabeça até que sangrasse.

Numa noite conheceu um soldado que era famoso pela sua bravura. Então Norato fez o pedido ao novo amigo, que resolveu ajudá-lo com todos os rituais sabidos. Assim, num dia, antes do sol nascer, saiu de dentro da cobra... um homem.

O encanto havia sido quebrado. Norato pertencia de vez a linhagem humana. Deixou de viver nas águas para viver na terra.

Cobra Norato também conhecida como Honorato, é uma lenda das mais famosas do folclore paraense, criada pela imaginação poética dos povos da floresta, contada nos versos das águas com magia e tragédia. É uma fusão de dois mitos amazônicos: o da Cobra Grande e o do Boto.

 

Referência Bibliográfica:
Livro Coleção Turma da Mônica – Lendas Brasileiras – vol 4
Autor: Souza, Maurício
Editora Girassol Brasil Edições – 2018.


Bumba meu boi - FEVEREIRO

 Bumba meu boi


Bordado por: Eleonora de Fátima Dornas de Andrade
Folclore brasileiro
Desenho: Murilo Pagani
Assessoria em pintura: Carol Perillo
Contato: eleonora.andrade@hotmail.com
55 (31) 99821.6887 
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


Mãe Catirina e Pai Francisco, um casal de escravizados, vive em uma fazenda no sertão. Grávida, Catirina sente o desejo de comer a língua do boi mais bonito da fazenda. Para satisfazer o desejo de sua mulher, Pai Francisco rouba o boi preferido do dono da fazenda, mata o animal e retira a língua para que sua esposa possa comê-la. O vaqueiro fica sabendo do roubo e da morte do boi e avisa seu patrão. Enfurecido, o dono das terras jura vingança e parte em busca do casal. No fim do auto, os personagens conseguem ressuscitar o boi, e, como agradecimento, o dono da fazenda promove uma festa.
O Bumba meu boi é uma festa popular, com predominância nas regiões Norte e Nordeste, que teve origem no folclore brasileiro. A festividade é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
 
O Bumba meu boi surgiu na região Nordeste, no século XVIII, época em que o gado era de extrema importância na economia local. O auto do boi retrata as diferentes visões sobre o boi e a sua imponência. Para os escravizados e trabalhadores rurais, o animal era companheiro de trabalho e sinônimo de força. Para os proprietários de fazendas, investimento seguro e uma fonte de renda.

Malala, a Menina que Queria Ir para a Escola - MARÇO

 Malala, a Menina que Queria Ir para a Escola


Bordado por: Débora Magnólia
Autor: Adriana Carranca
Desenho: Grazielle Magnólia
Contato: magnolia4652@gmail.com
55 (31)99972.7583
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


O caminho da escola, narra a história de uma menina que sonha ir para escola. Filha de uma

família vulnerável de refugiados. O pai, a menina e o irmão, saem à noite, eles levam somente o essencial, que para ela era a mochila e a boneca. Eles atravessam o deserto com inúmeras dificuldades, tais como sede, tempestade de areia e até a morte do irmão, que foi deixado numa gruta dormindo. Mas a menina consegue seu intento e chega à escola após um longo caminho.


Grande Sertão Veredas - ABRIL

 Grande Sertão Veredas


Bordado por: Fernanda de Almeida Amaral
Autor: João Guimarães Rosa
Desenho: Murilo Pagani
Contato: faamaral@gmail.com
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”

João Guimarães Rosa.

 

“Grande Sertão: Veredas” é um dos mais belos clássicos da literatura brasileira.

O livro nos revela a história de Riobaldo, um homem muito inteligente e letrado, que conta as aventuras vividas durante o tempo em que fez parte de um bando de jagunços em sua juventude.

Por meio da história, ficamos sabendo que Riobaldo, depois que sua mãe morre, vai morar com seu padrinho em uma fazenda. Nesta fazenda, conhece o bando de jagunços liderado por Joca Ramiro e decide se juntar a eles. É quando conhece e estreita laços de amizade com Diadorim (Reinaldo).

Depois de um período de paz no sertão Joca Ramiro acaba sendo traído e morto por Hermógenes, líder de outro bando.

Assim, há uma guerra entre bandos, de um lado, aquele em que Riobaldo e Diadorim fazem parte e um de outro, o bando formado por Hermógenes e Ricardão.

O livro narra as viagens pelo sertão, as lutas, as dificuldades de sobrevivências, e descreve as belezas da natureza enquanto o protagonista faz muitas reflexões filosóficas sobre o bem e o mal, espiritualidade e amor.

O conflito finalmente acaba quando Hermógenes morre durante a batalha no Paredão, onde Diadorim também perde sua vida.

Neste momento, Riobaldo descobre que seu amigo que perdeu a vida, e a quem ele amava, era Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins, filha do antigo líder do grupo – Joca Ramiro, que se disfarçava de homem, em busca da vingança pelo pai.


Lampião e Maria Bonita - MAIO

 Lampião e Maria Bonita


Bordado por: Silvânia Maria Carvalho de Araújo
Tradição oral do Nordeste brasileiro
Desenho: Murilo Pagani
Contato: silvaniamar@gmail.com
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


A história de Virgulino Ferreira da Silva está presente na vida do sertão do Nordeste brasileiro, indo além das terras de Sergipe, onde foi morto. Menino alegre, tocador de sanfona, vaqueiro, bom de tiro, o que lhe valeu o apelido de Lampião devido à sua rapidez com o uso da arma que, em suas mãos, parecia ter luz própria. Vivia sob o teto dos “coronéis” que brigavam pela posse de terra e comando na região, que em clima de disputa gerava o exército de cangaceiros. Quando o Pai de Virgulino foi assassinado, ele jurou vingança, assim, o menino vaqueiro virou cangaceiro. Andando pelo sertão, ora pedia apoio com comida, abrigo e dinheiro; ora gerava violência e pânico pelo sertão nordestino. Dessa forma, criou-se o mito do bando de cangaceiros de Lampião. Bando que recebia auxílio e proteção de coronéis em troca de favores e serviços ou aguçava a rivalidade dos coronéis. Assim. Agia o bando de acordo com as suas conveniências, podendo ter festas ou mortes quando o bando entrava em uma cidade.

Maria Dea de Oliveira entra na história, a Maria Bonita era menina letrada, maravilhada com o mito do homem valente, apaixonada como um fã pelo seu ídolo. Menina casada por obrigação com um homem mais velho, faz um poema de amor para o mito do cangaço. O suficiente para encantar Lampião e acender o fogo da paixão. Está formado o casal mais unido, temido e amado do sertão nordestino. Ela entrou para o cangaço, incorporou os atos do grupo, aprendeu a usar as armas, a viver de correndo da polícia e, acima de tudo, trouxe as mulheres para o cangaço.

A história de amor de Maria Bonita e Lampião é contada em verso e prosa, nas músicas, nas ilustrações em todo o nordeste brasileiro. Eles permaneceram juntos até a morte de ambos na emboscada em Angicos, em 1938. Amor esse que se sustentou em um clima turbulento no espaço do árido sertão de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, eternizado na cultura popular brasileira. 

Polegarzinha - JUNHO

 Polegarzinha




Bordado por: Wânia Lúcia Martins Abreu
Assessoria no bordado: @spradoartes
Autor: Hans Christian Andersen
Desenho e aquarela: @artquiltcris
Contato: wlm.abreu@gmail.com
Fone: (31) 99125 4644
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


Polegarzinha


Em um povoado distante, havia um casal que queriam muito um filho, mas não conseguiam. Encontraram uma feiticeira e ganharam uma semente para que plantassem e esperassem pelo filho. E assim, no dia seguinte ao acordar, a mulher viu que do vaso havia brotado uma linda flor e dentro uma linda menina, tão pequenina e de uma beleza sem fim. Lhe deram o nome de Polegarzinha. Ali vivia feliz...
 
Numa noite, apareceu um grande sapo que se encantou com sua beleza e a levou com a intenção de que seu filho a aceitasse como esposa. Começaram os preparativos e a colocaram dentro de um riachinho, numa folha, amarrada, para que ela não fugisse. Ela chorava tanto que todos os peixinhos ficaram com muita dor dela. Sensibilizados ajudaram na sua fuga.
 
Ela navegou pelas águas, no meio das flores até chegar em terra. Encontrou um rato enorme, e pediu ajuda. Ele a levou consigo e em troca ela cuidaria da casa e contaria histórias para o fazer feliz. Com o passar dos dias o rato conversou com Polegarzinha, que o melhor seria ela se casar com a Toupeira, que era seu amigo, e gostava muito de histórias e música. Sem ter como negar foi conhecer a Toupeirira. Como era de se esperar, a Toupeira se apaixonou e passeava sempre com ela. Um dia passaram por uma galeria subterrânea e encontraram um lindo pássaro, parecia morto. Não aceitando isso, Polegarzinha resolveu cuidar dele, teceu uma linda manta e o agasalhou. Tratou dele com carinho até que ele se recuperou e convidou Polegarzinha a ir embora com ele. Depois de pensar, Polegarzinha resolveu partir com ele.
 
Voando alto entre as penas do pássaro, Polegarzinha via beleza no mar, nas arvore, no vento. Foram dias viajando. Ao posar ela foi colocada em uma linda flor, tão feliz que no começo nem percebeu que lá dentro tinha um homenzinho tão pequenino quanto ela, com uma coroa e asas.
 
Ela se apaixonou. Casaram-se, e ele a transformou em uma linda rainha, mas achava que seu nome não combinava com sua beleza e passou a chamá-la de Maia. E assim viveram felizes para sempre.

 


Pégaso - JULHO

 Pégaso


Bordado por: Amarilis Bracher
Lenda grega
Desenho: Amarilis Bracher
Contato: amarilisbracher@gmail.com
55 (31)98523.6215
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


Amarilis Bracher

Pegasus, filho do amor impossível de Poseidon pela Medusa, nasceu envolto em um turbilhão de raios e trovões, no momento em que gotas do sangue da górgona, decapitada por Perseu, tocam a superfície da água.

Magnífico, todo branco, esse cavalo alado emerge da espuma que se forma nesse turbilhão sobre a água.

Seus cascos golpeiam as rochas do Monte Hélicon, perto do bosque consagrado às Musas, e uma fonte brota ali – a fonte Hipocrene, que se tornará um símbolo do espírito criador de poetas e artistas.

Tempos depois, Poseidon oferece Pegasus a seu filho Belerofonte, que consegue domá-lo com a ajuda de Atena.

E logo tem início toda uma saga de aventuras e desafios perigosos impostos ao herói, que são vencidos um a um, culminando com a destruição da terrível Quimera.

Ao deixar-se dominar pela vaidade e orgulho, Belerofonte torna-se tão arrogante, a ponto de querer voar alto em seu corcel alado para juntar-se aos deuses no Olimpo, provocando a fúria de Zeus, que faz com que Pegasus derrube o guerreiro, enviando vespas para picá-lo.

Atena vem em socorro do herói e amortece sua queda, impedindo que morra.

Complacente com Pegasus, Zeus permite que continue voando cada vez mais alto até alcançar as estrelas e transformar-se em uma constelação.

Tendo sobrevivido à queda, Belerofonte passa o resto de seus dias mendigando e procurando por seu corcel alado, sem saber que bastava olhar o céu para encontrá-lo entre as estrelas.

Depois de subir aos céus e se transformar em constelação, Pegasus recebe de Zeus a tarefa de conduzir o poder dos raios e trovões e as luzes da aurora.

Voando sem limites de espaço e tempo, Pegasus transforma-se também em símbolo de imortalidade e liberdade suprema. 

Omulu ganha as pérolas de Iemanjá - AGOSTO

 Omulu ganha as pérolas de Iemanjá


Bordado por: Siomara Goulart
Mito africano e afro-americano
Desenho: Siomara Goulart
Contato: siomara.goulart@gmail.com
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


Omulu foi salvo por Iemanjá quando sua mãe, Nanã Burucu, ao vê-ló doente,  coberto de chagas, purulento, abandonou-o numa gruta perto da praia. 
Iemanjá recolheu Omulu e o lavou com a água do mar. O sal da água secou suas feridas. 
Omulu tornou-se um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes, as marcas feias da varíola. 
Iemanjá confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia. E com ela ele escondia as marcas de suas doenças. 
Ele era um homem poderoso. Andava pelas aldeias e por onde passava deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença. Mas continuava sendo um homem pobre. 
Iemanjá não se conformava com a pobreza do filho adotivo. Ela pensou: “Se eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja sempre um homem pobre”.
Ficou imaginando quais riquezas poderia dar a ele. Iemanjá era a dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caranguejos, as conchas, os corais. Tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olucum, e ela dera tudo a Iemanjá.
Iemanjá resolveu então ver suas jóias. Tinha algumas, mas enfeitava-se mesmo era com algas. Ela enfeitava-se com a água do mar, vestia-se de espuma. Ela adornava-se com o reflexo de Oxu, a Lua. Mas Iemanjá tinha uma grande riqueza e essa riqueza eram as pérolas, que as ostras fabricavam para ela. 
Iemanjá, muito contente com a sua lembrança, chamou Omulu e lhe disse: 
“De hoje em diante, és tu quem cuidas das pérolas do mar. Serás assim chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas “. 
Por isso as pérolas pertencem a Omulu. Por baixo de sua roupa de ráfia, enfeitando seu corpo marcado de chagas, Omulu ostenta colares e mais colares de pérola, belíssimos colares.   
Bibliografia: Mitos dos Orixás de Reginaldo Prandi 
 Curiosidades:  
Ele usa um Xaxará na mão , uma espécie de vassoura, com fios de palha e decorada com pequenas cabaças, búzios.
Omulu e Obaluaê são os mesmos orixás. Data comemorativa: 16 de agosto.

A Lenda do Búfalo Branco - SETEMBRO

 A Lenda do Búfalo Branco


Bordado por: Magda Pina
Lenda dos índios Lakota da América do Norte
Desenho: Murilo Pagani
Contato: magdapinaa@gmail.com
55 (31)99122.9056
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


Conta uma profecia dos índios lakota que em algum momento regressará a nós a mulher do búfalo branco, uma mulher sábia portadora de magia que restaurará com seu poder a união entre todos os filhos da Mãe Terra e nosso equilíbrio com a natureza

Muito tempo atrás, durante um período de fome, guerras e desavenças entre os povos, dois jovens guerreiros lakota passeavam com seus cavalos magros buscando algo para caçar. De repente vislumbraram no horizonte uma figura feminina envolta em uma luz cálida, em uma bruma de fascinantes clarões de luz.

A mulher estava acompanhada de um búfalo branco. Era alta, esbelta e usava um vestido com bordados sagrados, uma pluma no cabelo e folhas de sálvia na mão. Era tão bonita que um dos jovens não hesitou em aproximar-se dela com o desejo de possuí-la. No entanto, e antes que pudesse sequer tocar sua pele, uma nuvem escura pairou sobre ele disparando um raio de fogo. Ficou carbonizado em poucos segundos. O outro jovem guerreiro se ajoelhou imediatamente, aterrorizado, pensando que teria a mesma sorte. No entanto, a bela mulher acariciou seu cabelo e falou que era uma wakan, uma mulher que tinha vindo para ajudar seu povo.

A mulher santa foi recebida com muita expectativa no povoado lakota. Prepararam-lhe a melhor tenda e, quando ela se acomodou, a manhã se transformou em crepúsculo e uma luz de cor âmbar com raios rosados envolveu aquelas terras. Apesar da fome e da miséria, os lakotas ofereceram o que tinham de melhor: algumas raízes, alguns insetos, ervas secas e água fresca.

E a mulher do búfalo branco lhes ofereceu tabaco de salgueiro vermelho e os convidou a fumar o cachimbo de paz. Depois os chamou para dar voltas ao redor das tendas para honrar o sol, criar um círculo de força com a vida e agradecer. Mais tarde, apresentou-lhes uma série de práticas espirituais, formas de reverenciar a natureza orando com palavras corretas e celebrando ritos ancestrais que o povoado lakota já tinha esquecido.

Ela os convidou a entoar cânticos para fazer a Terra feliz, melodias, versos e entoações que deviam ser dirigidas às quatro direções do universo. Lembrou também a importância de praticar a cerimônia do cachimbo da paz, onde homens e mulheres se reunem para honrar suas almas, o próprio grupo e sua união com o além.

Na hora que ela partiu surgiram do horizonte manadas de búfalos pretos. Eram tantos que fizeram o solo tremer debaixo de seus pés e que as montanhas ficaram escuras. Com a chegada desses animais, que representavam a sobrevivência, uma força nova começou a bombear. E a partir desse dia, o búfalo forneceu carne como alimento, pele para as roupas e tendas, e ossos para as ferramentas.

A mulher do búfalo branco se despediu dizendo que ela os protegeria enquanto realizassem as cerimônias sagradas e cuidassem da Terra. Ela os deixou dizendo: Toksha ake wacinyanktin ktelo (“eu os verei de novo”) e, até hoje, muitos Lakotas repetem essa mensagem de esperança.

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O Desejo da Bruxa - OUTUBRO

O Desejo da Bruxa 
Conto americano

Bordado por: Alda Andrade
Conto popular dos Estados Unidos
Desenho: Murilo Pagani
Contato: aldaluciad@gmail.com
55 (31)99993.1286
Fotografia, arte e produção: Henry Yu


Era uma vez uma bruxa que tinha um grande desejo: ela não queria mais ser bruxa, queria ser uma linda fada. 
Então ela pesquisou nos livros de bruxarias, atrás de uma poção mágica. Misturou bem todos os ingredientes, mas na hora de tomar o líquido que transformaria a sua vida, não conseguia se lembrar das palavras mágicas. 
Começou a experimentar todas que se lembrava:
“Pé de cabra, abracadabra!”
“Pó de pirlimpimpim, a bruxa chegou ao fim!”
“Pé de sapo, raio e corisco, eu não quero ser mais isto!”
“Em vez de uma bruxa feia e má, eu quero ser a fada melhor que há!” 
Nada acontecia e a bruxa começou a ficar furiosa. Resolveu então ir para seu quarto tirar uma soneca. E durante a soneca, sonhou com as palavrinhas mágicas: “Por favor.” 
Voltou para a sala, aqueceu a poção de novo, se serviu e falou:
“Em vez de uma bruxa feia e má, por favor, quero ser a fada melhor que há!”
Ouviu-se, então, uma enorme explosão!
E a bruxa feia e má se transformou numa linda fada!