Os Dançarinos Dervixes
O sufismo, além de aceitar
o Alcorão, levava o iniciado a obter poderes excepcionais através de práticas e
exercícios espirituais. Por volta do século XII, tais fraternidades religiosas
muçulmanas já eram verdadeiras corporações organizadas. Tinham estabelecido
graus de iniciação e uma estrita disciplina existencial era observada pelos
membros, chamados dervixes. No século
XIII a ordem sufista Mevlevi, fundada por Rumi,
na cidade turca de Konya, tornou-se Importante fraternidade dervixes. No seu ritual a Dança
do Sema, de rodopios coloca iniciados em
harmonia com o movimento dos astros, induzindo-os, a êxtase místico.
Conto sufi - Isto também
passará Recontado por Neuza Oli Vieira
Farid Ud Din Attar/-
Histórias da terra dos Sufis
Um dervishe atravessou o
deserto e chegou finalmente a seu povoado Colinas Arenosas. Perguntou a um
passante onde poderia encontrar um prato de comida e um abrigo por aquela noite
e foi informado que Shakir ficaria encantado em recebê-lo em sua casa e
que Shakir era mais rico que Haddad!
Shakir o recebeu
fidalgamente tanto quanto sua esposa e filhas. Insistiram para que ficasse alguns dias com sua familia.
No final prepararam comida e água para a sua viagem. - Dêem graças a Deus pela riqueza que possuem,
disse o dervixe. Em resposta Shakir apenas respondeu: não se engane amigo.
-Tudo isto passará!
O dervishe pensou: isso me
servirá de lição de vida. E o tempo passou: cinco longos anos. Retornando a seu
povoado lembrou do amigo Shakir. Soube que ele agora trabalhava para Haddad.
Uma enchente havia matado seus animais e destruido sua casa. Agora eles eram
empregados de Haddad.
O dervixe ficou ali por
algum tempo e na despedida disse ao amigo:
- Sinto o que você e sua familia passaram. Sei que Deus tem um motivo para isso. Shakir então respondeu que aquilo tudo
haveria de passar. O dervixe despediu-se e seguiu seu caminho.
O tempo passou e o dervixe
voltou a Colinas Arenosas. Reencontrou seu amigo Shakir rico outra vez. Haddad
havia morrido. Não tinha herdeiros. Deixou-lhe grande fortuna. Seu amigo lhe disse aquela mesma expressão:
Isto também passará.
O dervixe andou por muitos
lugares e de novo voltou a sua pequena aldeia. Dessa vez foi informado que seu
amigo de tantos anos havia falecido e em sua humilde tumba estava escrito: Isso
também passará.
Foi visitar o tumulo do amigo. Não encontrou
mais. Soube que tinha havido uma grande
enchente e o cemitério foi destruído.. Ele logo entendeu : "isso também
passará".
O tempo passou, o dervixe
envelheceu e precisou se fixar num determinado lugar. Tornou-se um conselheiro e ficou famoso. O Conselheiro do Rei quis conhecê-lo pois
estava em um grande dilema.
O rei desejava um anel
muito especial que tivesse uma inscrição
mágica que ao colocá-lo estando triste,
ficaria alegre e estando alegre ficaria triste ou pensativo. Uma situação
inusitada e dificil para o Conselheiro.
O que fazer! Os melhores joalheiros foram contratados mas suas idéias
não foram aceitas pelo Rei. O
Conselheiro lembrou do dervixe e pediu ajuda. O dervixe deu a resposta.
Um
tempo depois um anel foi feito utilizando uma linda esmeralda e foi entregue ao
Rei. Assim que o rei o colocou no seu
dedo ele começou a se alegrar e dar boas gargalhadas. No anel estava escrito
"ISTO TAMBÉM PASSARÁ"!
Bordado por: Neuza Oli Veira
Conto: Isto Também Passará
Autor: Conto sufi-Farid Ud Din Attar
Desenho: Murilo Pagani
Contato: nemabh25@yahoo.com.br
55(31)3337-7026
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