Conto: O Lobo e os Sete Cabritos
Autores: Irmãos Grimm
Desenho: Zélia Melo
Contato: melozelia@terra.com.br
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O Lobo E Os Sete Cabritinhos
Era uma vez uma cabra que tinha sete
cabritinhos. Ela os amava com todo o amor que as mães sentem por seus
filhinhos. Um dia ela teve que ir à floresta em busca de alimento. Então,
chamou os cabritinhos e lhes disse:
- Queridos filhinhos,
preciso ir à floresta buscar comida. Tenham muito cuidado por causa do lobo
mau. Se ele entrar aqui, vai devorá-los todos. É seu costume disfarçar-se, mas
vocês o reconhecerão pelas sua voz rouca e por suas patas pretas.
Os cabritinhos
responderam:
- Querida mãezinha,
pode ir descansada, pois teremos muito cuidado. A cabra baliu (béééééé) e foi
andando despreocupada. Não se passou muito tempo e alguém bateu à porta,
dizendo:
- Abram a porta,
queridos filhinhos. A mamãe está aqui e trouxe um presentinho para cada um de
vocês. Os cabritinhos perceberam logo que era o lobo, por causa de sua voz
rouca, e responderam:
- Não abriremos a
porta, não! Você não é nossa mãezinha. Ela tem uma voz macia e agradável. A sua
é rouca. Você é o lobo mau !
O lobo, então, foi a
uma mercearia e comprou uma porção de mel com limão e bebeu-o para amaciar a
voz. Voltou à casa dos cabritinhos, bateu à porta, e disse:
- Abram a porta, meus
filhinhos. A mamãe já voltou e trouxe um doce para cada um de vocês.
Mas o lobo tinha
posto as patas na janela e os cabritinhos responderam:
- Não abriremos a
porta, não! Nossa mãe não tem patas pretas como as suas. Você é o lobo mau !
O lobo foi à padaria
e disse ao padeiro:
- Tenho as patas
feridas. Preciso esfregá-las em um pouco de farinha.
O padeiro pensou consigo mesmo: - Esse lobo
está querendo enganar alguém. E recusou-se a fazer o que ele pedia. O lobo,
porém, ameaçou devorá-lo; e o padeiro, com medo, esfregou lhe bastante farinha
nas patas.
Pela terceira vez,
foi o lobo bater à porta dos cabritinhos:
- Meus filhinhos,
abram a porta. A mãezinha já está aqui, de volta da floresta, e trouxe um
brinquedo para cada um de vocês.
Os cabritinhos
disseram:
- Primeiro mostre-nos
suas patas, para vermos se você é mesmo nossa mãezinha. O lobo pôs as patas na
janela e, quando eles viram que eram brancas, acreditaram e abriram a porta. Mas,
que surpresa!!! Ficaram apavorados quando viram o lobo entrar. Procuraram
esconder-se depressa. Um entrou debaixo da mesa; outro meteu-se na cama,
debaixo do cobertor; o terceiro entrou no fogão; o quarto escondeu-se na
cozinha; o quinto, dentro do armário guarda-louças; o sexto, embaixo de uma tina
tanque de lavar roupas, e o sétimo, o menorzinho, na caixa do relógio cuco. O lobo
mau os foi achando e comendo, um a um. Só escapou o menor, que estava na caixa
do relógio cuco.
Quando satisfez o seu apetite, saiu e, mais
adiante, deitou-se num gramado. Daí a pouco pegou no sono.
Momentos depois, a
cabra voltou da floresta. Que tristeza a esperava! A porta estava escancarada.
A mesa, as cadeiras e os bancos, jogados pelo chão. As cobertas e os
travesseiros, fora das camas. Ela procurou os filhotinhos, mas não os achou.
Chamou-os um por um pelo nome, mas estes não responderam. Afinal, quando chamou
o último, o menorzinho, uma vozinha muito sumida respondeu:
- Mãezinha querida,
estou aqui, no relógio cuco.
Ela o tirou de lá, e
ele lhe contou tudo o que havia acontecido. A pobre cabra chorou ao pensar no
triste fim de seus filhotinhos !!! Alguns minutos depois, ela saiu e foi
andando tristemente pela redondeza. O cabritinho acompanhou-a. Quando chegaram
ao gramado, viram o lobo dormindo, debaixo de uma árvore. Ele roncava tanto que
os galhos da árvore balançavam. A cabra reparou que alguma coisa se movia
dentro da barriga do lobo.
- Oh! Será possível
que meus filhinhos ainda estejam vivos, dentro da barriga do lobo? pensou ela
falando alto. Então, o cabritinho correu até sua casa e trouxe uma tesoura,
agulha e linha. Mal a cabra fez um corte na barriga do lobo malvado, um
cabritinho pôs a cabeça para fora. Ela cortou mais um pouco e os seis saltaram,
um a um. Como ficaram contentes!!! Cada qual queria abraçar mais a mamãe. Ela
também estava radiante, contudo, precisava acabar a operação antes que o lobo acordasse.
Mandou que os cabritos procurassem umas pedras bem grandes. Quando eles as
trouxeram, ela as colocou dentro da barriga do bicho e coseu-a (costurou-as)
rapidamente. Daí a momentos, o lobo acordou. Como sentisse muita sede,
levantou-se para beber água no poço. Quando começou a andar, as pedras bateram,
umas de encontro às outras, fazendo um barulho esquisito. O lobo pôs-se a
falar:
- Estavam
bem gostosinhos. Os cabritinhos que comi. Mas depois, que coisa estranha! Que
enorme peso senti!
Quando chegou ao poço
e se debruçou para beber água, com o peso das pedras, caiu lá dentro e morreu
afogado. Os cabritinhos, ao saberem da boa notícia, correram e foram dançar,
junto ao poço, cantando, todos ao mesmo tempo:
- “Podemos viver,
Sem ter mais cuidado.
O lobo malvado
morreu.
No poço afogado.”
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