sábado, 25 de novembro de 2023

A Pequenina Folha Verde - OUTUBRO

 Outubro: A Pequenina Folha Verde

Bordado por: Alda Andrade

Autor: Penny Parker

Desenho: Murilo Pagani

Contato: aldaluciad@gmail.com

55 (31) 99993.1286

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

 

A Pequenina Folha Verde – Penny Parkere

 


Algum tempo atrás, havia um rei que estava muito doente, e vivia na cama.

Porém, mais forte que a doença que lhe consumia, era o profundo desanimo que lhe corroía a alma. O rei havia desistido de viver.

 

Sua filha tentava animá-lo, relembrando os bons momentos que tinham vivido juntos. Mas, em vão, ele não reagia. O rei passava os dias inteiros na cama, olhando para a janela, observando uma frondosa árvore, que ia lentamente perdendo as suas folhas.

 

Certa manhã, quando a filha tentava animá-lo, o rei disse:

- Sabe, filha, quando aquela árvore perder a última de suas folhas, terá chegado a minha hora de partir…

- Mas que é isso pai, que tolice! Por que amarrar o seu destino ao destino de uma árvore?

Mas o rei não a ouviu, tão concentrado que estava na sua melancolia. A filha então compreendeu que existem momentos em que as palavras ficam muito pobres e não conseguem acender a luzinha no coração das pessoas. Então resolver agir.

 

Assim que o pai adormeceu, a filha entrou no quarto com um pincel e um pequeno pote de tinta verde. Subiu num banquinho e pintou no vidro da janela uma folhinha verde. À medida que o outono ia avançando, e o inverno tomava o seu lugar, as folhas da árvore desprenderam-se todas e saíram dançando ao vento. O rei observava cuidadosamente todos os seus movimentos. Observava especialmente uma certa folhinha verde muito teimosa que não se movia do lugar. Até que a neve chegou e cobriu a árvore com um manto branco. Mas, de sua cama, o rei havia atado o fio da vida àquela folhinha verde, e continuava olhando-a fixamente.

E foi assim, agarrando-se à folhinha verde, que o rei atravessou o inverno. Então, quando a primavera chegou, e muitas novas folhas cobriam a árvore, aquela pequenina folha verde ficou perdida entre tantas outras e o rei encontrou seu ânimo e a sua vontade de viver. E ficou de pé. E voltou à vida.

 

Mais tarde, enquanto limpava a folhinha pintada na janela, a filha pensou:

- Espero que algum dia, se o desânimo tomar conta do meu ser, alguém consiga oferecer-me uma folhinha verde, para que eu possa receber através dela, a vontade de viver.

As Três Perguntas - NOVEMBRO

Novembro: As Três Perguntas

Bordado por: Marie-Thérèse Pfyffer

Autor: Leo Tolstói

Desenho: Marie-Thérèse Pfyffer

Contato: @duo_leones

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

As três perguntas

Leo Tolstói

 

Certa vez ocorreu a um certo imperador que se ele sempre soubesse a resposta a essas três perguntas, jamais falharia em nada que empreendesse: Qual é a hora certa para agir? Qual pessoa deve ser ouvida? Como decidir qual assunto é o mais importante?

 

Assim fez proclamar em todo o reino que daria uma grande recompensa a quem lhe trouxesse as respostas. E muitos vieram ao palácio, cada um com respostas diferentes. Diante de tantas soluções diversas, o imperador não concordou com nenhuma, também não deu nenhuma recompensa. Para encontrar as respostas certas para suas perguntas decidiu consultar um eremita conhecido por sua sabedoria.

 

O homem santo tinha escolhido viver isolado em um bosque, recebendo só gente comum. Então o imperador vestiu roupas simples e se pôs a caminho. Ao aproximar de seu destino desmontou do cavalo, deixou seu guardas para trás, e continuou sozinho. Quando chegou o eremita estava cavando canteiros em seu jardim. Cumprimentou o visitante e continuou seu trabalho. O imperador foi até ele e disse: “Vim até você, sábio eremita, para lhe pedir que responda a três perguntas: Qual é a hora certa para agir? Quais são as pessoas que devem ser ouvidas? Qual á a coisa mais importante a fazer?”

 

Como posso aprender a fazer a coisa certa na hora certa? Quem são as pessoas de quem mais preciso e a quem devo, portanto, prestar mais atenção do que ao resto? E quais assuntos são os mais importantes e precisam de minha primeira atenção?”

 

O eremita ouviu, mas não respondeu nada. Apenas cuspiu na mão e recomeçou a cavar. Como era idoso e frágil, respirava com dificuldade cada vez que enfiava a pá no chão e revirava a terra. “Você está cansado”, disse o imperador, “deixe-me pegar a pá e trabalhar um pouco para você.” “Agradeço!” disse o eremita e, dando a pá ao visitante, sentou no chão. Depois de cavar dois canteiros, o imperador parou e repetiu suas perguntas. Novamente não houve respostas, mas o eremita levantou, estendeu a mão para a pá e disse: “Agora descanse um pouco e deixe-me trabalhar.” Mas o imperador não devolveu a pá e continuou a cavar. Uma hora se passou, e outra. O sol estava se pondo atrás das árvores, quando o imperador acabou de preparar os canteiros. Enfiou a pá no chão e disse: “Vim até você, homem sábio, par ter respostas. Se não puder me responder, diga-me, e eu voltarei para casa.”

 

“Aí vem alguém correndo”, disse o eremita. “Vamos ver quem é.” O imperador se virou e viu um homem barbudo sair correndo de entre as árvores. Quando chegou perto dos dois homens, caiu meio desmaiado no chão, gemendo debilmente. Suas mãos pressionavam sua barriga, sangue escorria debaixo delas. O imperador e o eremita desamarraram a roupa do homem. Juntos cuidaram de um corte profundo. Finalmente o sangue parou de fluir, o homem reviveu e pediu água. O imperador buscou água fresca no riacho próximo e lhe deu para beber. Já estava esfriando. Levaram o ferido para a cama do eremita. O homem fechou os olhos e ficou quieto. Quanto ao imperador, estava tão cansado que sentou, encostou na parede, e também adormeceu.

 

Dormiu profundamente a noite toda. Pela manhã, demorou muito para se lembrar de onde estava, ou quem era o estranho barbudo deitado na cama que o fitava com olhos brilhantes. “Me perdoe!” disse o barbudo com voz fraca, quando viu que o imperador estava acordado. “Eu não conheço você e não tenho nada para perdoar.”

 

“Você não me conhece, mas eu o conheço. Era seu inimigo. Tinha jurado me vingar porque mandou executar meu irmão e confiscou todos os meus bens. Sabia que você tinha ido sozinho ver o eremita, assim resolvi matá-lo no caminho de volta. O dia passou, você não voltou. Então eu saí da minha emboscada para encontrá-lo, mas encontrei seus guardas, que me reconheceram e me feriram. Escapei e teria sangrado até a morte se você não tivesse cuidado de mim. Queria matá-lo, e você salvou a minha vida. Agora, se eu viver, e se você quiser, eu o servirei como seu servo mais fiel e pedirei a meus filhos que façam o mesmo. Me perdoe!”

 

O imperador se sentiu cheio de gratidão por seu inimigo ter feito as pazes, e não apenas o perdoou, como disse que enviaria seus servos e seu próprio médico para atendê-lo, e restauraria sua propriedade. Despediu-se e saiu à procura do eremita. Desejava implorar mais uma vez por uma resposta às suas perguntas. Encontrou-o no seu jardim, de joelhos, plantando sementes nos canteiros.

 

Aproximou-se: “Pela última vez, peço que responda às minhas perguntas, homem sábio.” O eremita olhou para ele. “Você já foi atendido.” “Como? O que quer dizer?”

 

“Não está vendo? Se não tivesse tido pena da minha fraqueza ontem e cavado estes canteiros, teria ido embora e aquele homem o teria atacado. Assim, o momento relevante foi quando cavou meu jardim. Eu fui a pessoa essencial, e fazer-me bem foi a decisão acertada. Depois, quando aquele homem correu para nós, o mais necessário foi atendê-lo pois, se não tivesse enfaixado suas feridas, ele teria morrido sem ter feito as pazes com você. Então ele foi a pessoa mais significativo, e o que você fez por ele foi fundamental.

 

Lembre-se então: Há apenas um momento certo – agora. É o momento mais importante porque é o único momento em que temos o poder de agir. A pessoa mais importante é aquela com quem você está, pois como saber se terá oportunidade de se relacionar com outra no futuro? E o mais importante é fazer o bem para quem está ao seu lado.

 

Por isso estamos aqui.”

 

A Romãzeira - DEZEMBRO

Dezembro: A Romãzeira

Bordado por: Rosângela P. M. Gualberto

Conto marroquino

Desenho: Murilo Pagani

Contato: rosangelagualberto@uol.com.br

55 (31) 98772.8302

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

 

A Romãzeira

 

 

Há muitos anos vivia em um deserto do Marrocos um povo Ansi em uma vila cercada de areia e pedra, com pouca água e um oásis perto. As crianças brincavam nas ruas com os amigos e a tarde iam buscar água no poço.

 

Mas as crianças começaram a sumir uma a uma. Amir, que ainda estava na aldeia, ouviu a avó falar que isto era coisa de djinn (feiticeira) e resolveu investigar o problema. Ele se preparou e foi ao oásis buscar água. Lá ele se encontrou com a djinn, que o enfeitiçou e o fez segui-la até sua casa, muito velha e isolada, com uma romãzeira enorme na porta que devia ser mágica pois o menino se desencantou.

 

Lá também ele viu seus amigos todos, em gaiolas, transformados em pássaros. Todos os dias a djinn desencantava as crianças com sua vara mágica, e os fazia trabalhar com as sementes de romã que viravam granadas vermelhas em joias maravilhosas que a djinn vendia no mercado.

 

Amir sabia que as djinns gostavam de ser paparicadas e fez isto até ser aceito como ajudante. Ele levava as joias para vender, escondido alimentava seus amigos e ia descobrindo todas as riquezas de lá. Um dia, enquanto a djinn dormia, Amir foi até a romãzeira, cortou muitos galhos que distribuiu sobre todo corpo da bruxa, pegou a varinha dela e todos os galhos se movimentaram e a aprisionaram. Ele desencantou seus amigos, os meninos pegaram todas as joias que podiam e voltaram para a aldeia onde as famílias fizeram uma grande festa para comemorar a volta das crianças e a coragem de Amir. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Calendário 2023

 


Somos 12 bordadeiras, que se dedicam a bordar cada uma, um mês um conto, uma estória, uma lenda! 
Com as linhas traçando a magia dos contos, damos formas a essa mágica viagem!

Um grande sucesso para presentear com um toque de magia, contos, pontos e panos! 
Faça seu pedido com as bordadeiras abaixo. 
Os contatos estão em cada mês com as respectivas bordadeiras!

Janeiro – O Touro Ferdinando

 


Janeiro – O Touro Ferdinando

Bordado por: Fernanda Amaral

Autor: Munro Leaf

Desenho: Murilo Pagani

Contato: faamaral@gmail.com

55 (31)99979.0171

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

O Touro Ferdinando

O bordado é baseado no conto infantil de 1936 “The Story of Ferdinand”, do escritor americano Munro Leaf e ilustrador Robert Lawson.

Ambientado na Espanha, o conto retrata a história de um bezerro chamado Ferdinando, um animal sensível que ama cheirar flores e que, ao contrário dos outros bezerros, tem aversão à violência e brigas. Embora sua mãe tente convencê-lo de lutar com outros em seu pasto para que se torne forte e ganhe fama em uma tourada, ele não lhe dá a mínima atenção.

Anos depois, Ferdinando cresce um animal forte que ainda devota toda a sua atenção a sua atividade preferida: ficar em paz, na sua montanha, cheirando as flores...

Um dia, porém, ao se assentar, ele é ferroado por uma abelha e a dor o faz correr tão rápido que os toureiros acreditam ter achado o touro agressivo que procuram.

Quando colocado na arena, entretanto, o animal se recusa a enfrentar o toureiro brigão e acaba por cheirar as flores que foram jogadas na arena. O toureiro se rende ao espírito amoroso e pacífico de Ferdinando, que é levado de volta para sua casa, na sua montanha com suas flores.

O livro foi lançado nove meses antes da eclosão da Guerra Civil Espanhola. Mesmo assim, naquele período, adeptos do ditador Francisco Franco o classificaram como um livro pacifista, sendo proibido em muitos países que adotaram modelos fascistas de governo.

Mas não se trata de uma história ideológica, mas sim uma encantadora história infantil que tenta nos ensinar a ser pessoas melhores, e promove respeito, tolerância, carinho e gentileza. Características fundamentais para vivermos bem em sociedade.


Fevereiro – Amantikir, a Lenda da Serra da Mantiqueira

 


Fevereiro – Amantikir, a Lenda da Serra da Mantiqueira

Bordado por: Eleonora de Fátima Andrade

Lenda Brasileira

Desenho: Murilo Pagani

Assessoria na pintura: Carol Perillo

Contato: eleonora.andrade@hotmail.com

55 (31)99821.6887 

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

Lenda da Mantiqueira

Conta a lenda que havia uma princesa encantada na brava tribo guerreira tupi. Seu nome o tempo esqueceu, seu rosto a lembrança perdeu, só se sabe que era linda.

Era tão linda que todos a queriam, mas ela não queria ninguém. Assistia a homens se matarem para vê-la. Tacapes velozes triturando ossos, setas certeiras cortando carnes. Como poderiam amá-la se não se amavam a si próprios?

A bela princesa se apaixonou pelo Sol, o guerreiro de cocar de fogo e carcás de ouro que vivia lá em cima, no céu,  caçando para Tupã. Mas o Sol, ao contrário de tantos príncipes, não queria saber dela. Não via sua beleza, não escutava suas palavras, nem se detinha para tê-la. Mal passava, cálido, por sua pele morena, sua tez cheirando a flor. Mal acariciava seus pelos negros, suas pernas esguias, e, fugaz, seguia impávido a senda das horas e das sombras.

Mas ela era tão bonita que senti-la nua, seus pequenos túrgidos seios, seus lábios de mel e seiva, sua virginal lascívia, acabou também encantando o Sol. E o guerreiro de cocar de fogo fazia horas de meio-dia sobre o Itaguaré…

A Lua mal surgia sobre a serra, já sumia acolá. Logo não havia noite. O Sol não se punha mais e não havia sonho, não havia sono. E tão perto vinha o Sol beijar a amada que os pastos se incendiavam, a capoeira secava e ferviam  os lamaçais. De tênues penugens de prata, plumas alvas de cegonhaçu, a Lua viu que estava ameaçada por uma simples mulher. O Sol, que na Oca do Infinito já lhe dera tantas madrugadas de prazer, tantas auroras de puro gosto, se apaixonara por uma mulher.

E foi contar tudo para Tupã. E tanto, que Tupã quis saber o que era que a Lua, cheia de ódio crescente de ciúme, minguando de dor, se fez um novo ser de noite sem lua. Como uma simples mulher ousou amar o Sol? Como o Sol ousou ter tempo para amar alguém? Que ele nunca mais a visse! Mas o Sol tudo vê!

Tupã ergueu a maior montanha que existia lá e dentro dela encerrou a princesa encantada da brava tribo guerreira do povo tupi. O Sol, de dor, sangrou poentes e quis se afogar no mar. A Lua, com a dor de seu amado, chorou miríades de estrelas, constelações e prantos de luz. Mas nenhum choro foi tão chorado como o da princesinha, tão bela, que nunca mais pôde ver o dia, que nunca mais sentiria o Sol.

Ela chorou rios de lágrimas: rio Verde, rio Passa Quatro, rio Quilombo, rios de águas límpidas, minas, fontes, grotas, enchentes, corredeiras, bicas, mananciais.

Seu povo esqueceu seu nome, mas chamou de Amantikir, Mantiqueira, a ‘serra que chora’, a montanha que a cobriu. Conta a lenda que foi assim.

 

(Trecho da peça A Fantástica Lenda de Algures)

https://www.cidadeecultura.com/lenda-da-mantiqueira-amantikir/


Março - A Bruxa do Armário de Limpeza


 

Março - A Bruxa do Armário de Limpeza

Bordado por: Débora Magnólia

Autor: Pierre Gripari

Desenho: Graziella Magnólia

Contato: magnolia4652@gmail.com

55 (31)99972.7583

Fotografia, arte e produção: Henry Yu


A Bruxa do Armário de Limpeza

Pedro comprou uma casinha bonitinha. Mas a casa é mal-assombrada!

Como Pedro conseguirá se livrar da bruxa malvada que mora no armário de limpeza?

 

Tirado de “Contos da Rua Broca” de Pierre Gripari.

Abril – A Força da Palmeira

 


Abril – A Força da Palmeira

Bordado por: Isabelle Marie Reinesch Souza

Conto popular Africano

Desenho: Demóstenes Vargas

Contato: isabelle.rsch@hotmail.com

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

A Força da Palmeira 

É um conto popular africano de transmissão oral sobre força e superação. Ele é contado e transmitido de geração em geração, de pessoa pra pessoa, no Magreb, região norte da África.

Em Magreb havia um homem muito malvado que só guardava rancor. Saia para espalhar maldade por todo o mundo. 

Um dia ele foi a um oásis e viu uma plantinha crescendo muito feliz. Ficou com tanta raiva da felicidade dela que resolveu achar uma pedra bem grande para colocar em cima da plantinha. Colocou e foi embora.

A jovem palmeira se sacudiu e tentou se libertar da carga, mas, por mais que tentasse, não tinha forças para se levantar. Como pôde, manteve-se firme em seu lugar e resistiu à pressão. De repente sentiu que uma de suas raízes começava a se mexer e a crescer. Assim ela viu que deveria se fortalecer antes de tudo. Juntou suas forças e começou a desenvolver suas raízes. Elas foram crescendo e logo tomaram conta de todo o oásis. Elas cresceram tanto que alcançaram lençóis d’água cheio de nutrientes. A palmeira ficou tão forte que conseguiu empurrar a pedra e continuou a crescer até se tornar uma árvore enorme e majestosa. A maior árvore de todos os tempos.

O tempo passou até que um dia o homem malvado voltou ao oásis para ver a plantinha que maltratou. Procurou por um lado, por outro lado e não encontrou. Até que escutou, na sombra de uma árvore enorme, a voz de uma grande palmeira com uma pedra ao lado: “Sabe homem, devo lhe agradecer, a sua carga me fez mais forte!”.

O homem ficou furioso, foi embora e nunca mais foi visto. E a palmeira reinou majestosa por muitos e muitos anos.

Maio - Os Sete Novelo

 


Maio - Os Sete Novelo

Bordado por: Silvânia Maria C. de Araújo

Autor: Angela Shelf Medearis

Um conto de Kwanzaa

Desenho: Demóstenes Vargas

Contato: silvaniamar@gmail.com

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

Os Sete Novelos

Numa pequena aldeia africana do país de Gana, viviam um senhor e seus sete filhos. Depois da morte da esposa o homem tornou-se mãe e pai dos meninos. Mas era decepcionado com os filhos, que viviam brigando sobre qualquer tipo de assunto, o que plantar, comer, sem um momento de paz no lar.

Um dia o pai morreu. Na manhã seguinte, o chefe da aldeia do povo axânti convocou os irmãos para uma reunião. Iniciou-se uma discussão e uma briga, com muitos empurrões, sobre para quem o pai deixara a herança.

 

O líder da aldeia ordenou que parassem de discutir e revelou que o pai decretou que todas as posses fossem divididas igualmente. Mas, primeiro eles teriam que aprender a fazer ouro com sete novelos de fios de seda até que a lua surgisse na noite. Caso não conseguissem seriam expulsos de casa como mendigos.

Cada um dos irmãos recebeu um novelo de cor diferente: azul, vermelho, amarelo, laranja, verde, preto e branco. Pela primeira vez, os irmãos ficaram quietos.

O chefe disse que eles não poderiam mais discutir e erguer o braço um para outro. Se o fizessem, as posses do pai seriam distribuídas entre os aldeões mais pobres.

Desse instante, os irmãos pararam de brigar e sentaram lado a lado, deram as mãos e selaram a paz entre eles. A paz reinou na casa. Eles pegaram os novelos, esperando que tivessem pedaços de ouro, mas o que viram foram lindas e brilhantes cores à luz do sol. A partir desse momento surgiu a ideia de fazer um tecido multicolorido com os diversos fios de cores. Os sete irmãos começaram a trabalhar. Juntos, cortaram madeira para fazer um tear, cada um ajudando ao outro. Em pouco tempo, tinham várias peças de lindos tecidos multicoloridos.

Os irmãos foram à praça do mercado da aldeia e começaram a vender o tecido. O tecido colorido cintilou como um arco-íris, atraindo uma multidão ao seu redor. Todos ficaram encantados com a beleza das peças. Os irmãos sorriam orgulhosos.

De repente, surgiu o tesoureiro do rei, que encantado com a beleza do tecido, comprou tudo, derramando várias peças de ouro. Os sete irmãos correram em direção do chefe e esparramando ouro pela cabana.

Eles falaram que trabalharam juntos e não tiveram tempo para discutir e brigar.

Os irmãos mais velhos comemoraram, contudo, os mais novos ficaram preocupados com a situação dos pobres da aldeia.

O chefe disse que eles tinham aprendido a lição.

Então, eles ensinaram o povo a tecer tecidos coloridos. A aldeia tornou-se famosa e próspera por seus tecidos multicoloridos. Desde esse dia, em memória de seu pai, os irmãos não discutiram, não brigaram, passaram a trabalhar juntos, em harmonia, no cultivo da terra.


Junho - O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda



 

Junho - O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda

Bordado por: Malu Furtado Rocha

Lenda medieval britânica

Desenho: Murilo Pagani

Contato: maluvieirarocha@gmail.com

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda.

De acordo com as histórias de manuscritos medievais e romances de cavalaria, o Rei Artur, lendário líder britânico, liderou a defesa da Grã-Bretanha contra invasores no final do século V e início do século VI, numa época em que a maior parte da Inglaterra se resumia a bosques, pântanos e charnecas, onde homens armados vagavam sem rei nem lei. São histórias trazidas do folclore que associa o imaginário celta e cristão numa série de episódios místicos, mágicos e fantásticos sobre a vida do rei bretão Artur e dos seus Cavaleiros. Um rei heroico e soberano que criou o reino mais glorioso da Europa.

A lenda nos transporta para o castelo de Camelot, na época dourada do rei Artur, da rainha Guinevere, de sir Lancelot e dos cavaleiros da Távola Redonda. Em alguns contos e poemas da época, Artur aparece como o grande guerreiro defendendo a Bretanha em batalhas, intrigas e conspirações, de palavras corajosas e atos de extraordinária bravura.

Artur nasce da união de Uther Pendragon e Igraine, e é entregue para ser educado ao mago Merlin, que passa a ser seu conselheiro no início do seu reinado. É Merlin que inventa o teste que provará o direito real de Artur ao trono, ao obter da Dama do Lago a espada "Excalibur" que crava numa pedra e que Artur irá retirar.

A notícia se espalha rapidamente: agora o País tem um novo rei que, apesar da pouca idade, sucede a seu pai e é já um chefe corajoso, repelindo os Saxões, os Anglos e derrotando os Pictos, os Escoceses e os Irlandeses.

Transcorre algum tempo e durante o período de paz que se segue, Artur casa com Guinevere, filha de Leodegrance. Em dote ela traz a Távola Redonda construída pelo mago druida Merlim. A Távola é o símbolo da igualdade, onde a voz de todos tem o mesmo valor.

O Rei Artur funda a sua ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda à qual acorrem cavaleiros de todas as partes, dando início a uma geração de nível incomparável de riqueza e cultura. Os melhores cavaleiros da Inglaterra e da Europa fazem parte da Távola Redonda do rei Artur e logo ficam famosos pela bravura, pela generosidade e pela retidão. Cada um deles jura pela própria vida ser leal ao rei, agir sempre com misericórdia, defender as mulheres e nunca lutar por causa injusta.

Entre os cavaleiros foram famosos sir Bedivere, sir Bors (filho do rei da Gália – França), sir Galahad, sir Gawain (sobrinho de Artur), sir Gareth (era bom, gentil e muito amigo de Lancelot), sir Kay, sir Mordred (também sobrinho de Artur e por ocasião de seu nascimento Merlim profetizou que ele iria tirar o trono de seu tio), sir Pillinore, sir Percival (um dos maiores guerreiros da Távola Redonda), sir Tristão e sir Lancelote (o maior guerreiro da Távola, corajoso e cortês, o defensor da rainha).

Lancelote, insuperável no combate, dotado de inteligência brilhante e um delicioso senso de humor, se torna o melhor amigo do rei. Seus amores com Guinevere são revelados ao rei por seu sobrinho Mordred, pretendente ao trono e à rainha, forçando Artur a condenar Guinevere à morte por traição. Ela escapa com a ajuda de Lancelote.

Artur deixa a sua corte de Camelot para empreender a conquista da Gália, confiando a regência do seu reino ao cavaleiro Mordred, que se revolta e quer usurpar o trono. Artur volta para recuperar o poder e, embora vitorioso, é mortalmente ferido na batalha final. É levado pelas rainhas do lago para a Ilha de Avalon, onde é curado pela fada Morgana, filha de Igraine e do Duque da Cornualha, portanto meia-irmã de Artur. Segundo a lenda, Artur continua vivo em Avalon, a Ilha do Além, à espera de poder regressar um dia.

Guinevere, que tinha voltado para Artur, após a batalha final se recolhe ao Convento de Amesbury onde Lancelote a visita. Guinevere despede-se do seu amado Lancelote e escolhe a solidão como penitência pelo pecado de ter levado à ruína uma famosa dinastia de cavaleiros. Expulso do reino, Lancelote parte para a França e nunca mais é visto.


Texto extraído dos livros:

Porto Editora – Lenda do Rei Artur - Howard Pyle, na Infopédia [consult. 2022-01-26 15:37:41]. Disponível em https://www.infopedia.pt/lenda-do-rei-artur

Companhia das Letrinhas – O Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda – Rosalind Kerven – 13ª reimpressão – 2017.


Julho – A Lenda da Primeira Orquídea

Julho – A Lenda da Primeira Orquídea

Bordado por: Umeko Marubayashi

Autor: Conto da Indochina

Desenho: Murilo Pagani

Contato: umemaruba@yahoo.com.br

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

A Lenda da Primeira Orquídea

Reza a lenda que na cidade de Anam, na Indochina, existia uma jovem chamada Hoan-Lan. Hoan-Lan se divertia fazendo com que seus numerosos adoradores sofressem de paixão.

Em busca de um sorriso, o jovem Kien-Fu tinha cinzelado o ouro mais fino e trabalhado com infinita paciência as mais lindas peças de jade. Hoan-Lan, demonstrando ingratidão, após se adornar com todos os presentes do nobre apaixonado, o desprezou aos risos. Kien-Fu, desesperado, acabou com a própria vida atirando-se ao Rio Vermelho.

O pintor Nguyen-Ba conseguiu obter cores desconhecidas para pintar o retrato de sua amada Hoan-Lan. Esta, porém, depois de ter exibido, para a satisfação de sua vaidade, a magnífica pintura, desprezou o artista. NguyenBa desapareceu para sempre no mistério das selvas.

Mai-Da, outro apaixonado, quis patentear seu amor à jovem volúvel. Inventou um delicioso perfume, somente digno dos anjos. Hoan-Lan, mais uma vez demonstrando ingratidão, perfumou-se e mandou pôr na rua o seu adorador. Mai-Da, nada mais aspirando na vida, se envenenou.

Cung-Le, com grande delicadeza, trabalhou com perseverança para incrustar nácar numa pulseira de ébano que foi recebida por Hoan-Lan. Ignorado, o pobre endoideceu.

Mas o poderoso Deus das Cinco Flechas, que a tudo via e tudo ordenava, julgou que era o momento de castigar tanta maldade, fazendo a jovem volúvel apaixonar-se pelo formoso Mun-Cay. E desde então, Hoan-Lan sonhava, no seu leito de nácar e sedas bordadas, com seu adorado, cujo nome esvoaçava sobre seus lábios de carmim, como uma borboleta sobre a rosa. Ao despertar, descia à piscina, banhava-se e adornava-se com suas joias mais preciosas para ver passar seu querido Mun-Cay, que mal se dignava a levantar os olhos para ela. Nunca tinha considerado a formosa jovem, nem se interessado pela fama de beleza que ardia à sua volta.

Os dias iam passando, e Mun-Cay não saía de sua indiferença cruel. Uma tarde, Hoan-Lan decidiu sair-lhe ao encontro e declarar-lhe paixão. – Não me interessas, rapariga! – disse ele – És como todas as outras. Para mim não vales nada. Se fosses como aquela que eu amo. Ela sim, é uma deusa. Tu, mísera Hoan-Lan, com toda tua vaidade, não serves nem para lhe atar as fitas das sandálias. E, com um sorriso desdenhoso, afastou-se.

Desesperada, Hoan-Lan lembrou-se do Deus Todo Poderoso que vivia na montanha de Tan-Vien. Talvez ele pudesse lhe ajudar. Apesar da noite escura e chuvosa, a jovem dirigiu-se ao monte sagrado, onde residia sua última esperança. A entrada do templo subterrâneo era guardada por um terrível dragão. Hoan-Lan suplicou-lhe a concessão de entrada e ao cabo de muitos pedidos conseguiu penetrar num extenso corredor, andando entre serpentes horríveis que lhe babujavam os pés nus. Quando chegou junto ao trono de ônix do poderoso gênio, prostrou-se e implorou: – Cura-me, que sofro horrorosamente. Amo Mun-Cay que me despreza.

 – É justo o castigo – respondeu o gênio – porque isso mesmo tens feito aos teus apaixonados. – Ó Todo Poderoso, tem dó de mim. Concede-me o amor de meu querido Mun-Cay. Sabes bem que não posso viver sem ele. – Vai-te daqui, – rugiu o gênio – nada conseguirás. O castigo que pesa sobre ti, foi imposto pelo Deus das Cinco Flechas, que tudo sabe. É justo que sofras. Saia do meu castelo.

Ao sair, Hoan-Lan encontrou-se com uma bruxa de pés de cabra. – Formosa jovem – disse-lhe a bruxa – sei que és muito desgraçada. Queres vingar-se de Mun-Cay? Vende-me a tua alma e juro-te que, embora MunCay não te ame, não amará a outra mulher. Hoan-Lan, com seu orgulho ferido e egoísta, aceitou a proposta da bruxa. Hoan-Lan, voltou para sua casa. Os dias se passaram. Hoan-Lan ia aos bosques para se distrais, ia às termas para relaxar, mas sempre em vão. Sua angústia e aflição não diminuíam nem findavam.

Um dia, vendo ao longe seu adorado Mun-Cay, correu para ele e, quando se preparava para abraçá-lo, o jovem foi transformado numa árvore de ébano.

 Neste momento apareceu a bruxa que, soltando uma gargalhada, lhe disse: – Desta maneira o teu amado nunca será de outra mulher.

 – Bruxa infame – exclamou chorando – o que fizeste a meu adorado? Devolva-o ou me mate! – Contratos são contratos, querida – replicou a bruxa, rindo ironicamente – Cumpri o que prometi. Mun-Cay, embora nunca te ame, não amará a outra mulher. Prometi e cumpri. A tua alma me pertence.

Hoan-Lan, abraçada ao pé da árvore, clamava desesperadamente a seu tronco imóvel. – Perdoa-me, Mun-Cay. Tem para mim uma só palavra de amor, de indulgência e compaixão. Não vês como me arrasto aos seus pés, como te abraço, como sofro! Mas a árvore nada respondia. A jovem ali ficou prostrada por muito tempo.

Uma manhã, passou por ali um gênio, que se compadeceu da sua dor. Acercando-se dela, pôs-lhe um dedo na testa e disse: – Mulher, procedeste muito mal. Foste volúvel até a crueldade e ingrata até a malvadez. Procedeste muito mal. Mas tua dor purificou a tua alma. Estás perdoada e vais deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar a tua alma, vou transformar-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, uma flor esquisita e requintada, que tenha a impressão do que foi a tua vida maldosa. Quem vir as tuas pétalas facilmente adivinhará o que foi o teu espírito, caprichoso, volúvel, cruel, e a tua preocupação constante pela elegância. Concedo-te ainda um bem: não te separarás do ser que adoras e viverás do seu suporte à sombra do teu amado. Enquanto o poderoso gênio falava, a túnica rósea de Hoan-Lan ia empalidecendo e tornando-se de uma delicada cor lilás. Os olhos da jovem brilharam como pontos de ouro e as suas carnes tomaram a tonalidade do nácar. Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore na derradeira súplica.

E assim apareceu a primeira orquídea do mundo, segundo a lenda de Anam.


 

Agosto – João e o Pé de Feijão

 


Agosto – João e o Pé de Feijão

Bordado por: Corina Damasio Soares

Conto inglês

Desenho: Murilo Pagani

Contato: corinadamasio@gmail.com

55 (31)99341.3918

Fotografia, arte e produção: Henry Yu

 

João e o Pé de Feijão

Há muito, muito tempo, vivia uma viúva com o seu filho João numa cabana numa aldeia longínqua. A viúva era muito pobre e mal podia arranjar comida para ela e o filho sobreviverem. Num dia de inverno, quando já não restava quase comida nem dinheiro nenhum, a viúva chamou o filho e disse:

– João, já quase não temos comida e não há dinheiro. Por isso, vamos ter que vender a vaca. Vais tu levá-la ao mercado na cidade.

– Não se preocupe, mãe. Amanhã parto mal o sol nasça e só volto após ter arranjado um bom preço. – respondeu o filho.

No dia seguinte, muito cedo, João pôs-se a caminho da cidade com a vaca. Estava muito frio e o rapaz apressou o passo. A meio do caminho encontrou um homem com umas longas barbas brancas e uma capa comprida. O homem perguntou a João para para onde caminhava e o rapaz explicou que ia vender a vaca. Dito isto, o homem propôs a João vender-lhe a vaca a troco de cinco feijões mágicos.

O rapaz respondeu que não estava interessado. Mas o homem acabou por convencê-lo que, ao ficar com aqueles feijões, ele e a mãe nunca mais passariam por dificuldades.

Assim, João aceitou a troca e voltou para casa sem a vaca e com os cinco feijões no bolso.

Ao chegar a casa tão cedo, a mãe foi logo perguntar-lhe como tinha vendido tão rapidamente a vaca e quanto tinha recebido por ela. Quando João lhe mostrou os feijões, explicando à pobre mulher que eram mágicos, esta ficou furiosa.

– Como é possível que te tenhas deixado enganar? Como vamos nós sobreviver com cinco feijões?- disse exasperada.

Dito isto, agarrou os feijões e atirou-os pela janela fora.

No dia seguinte, João levantou-se sentindo-se arrependido com a venda da vaca por cinco feijões. Mas ao ir à janela, apanhou um enorme susto! É que à sua frente encontrava-se um pé de feijão. Mas não era um pé de feijão qualquer. É que este pé de feijão era gigantesco e chegava às nuvens! Intimidado, mas curioso, Joao pôs-se a subir a gigantesca planta. Assim que atravessou as nuvens deparou-se com um castelo, também este enorme. Dirigiu-se para o edifício que era digno de um gigante. Mas mal entrou, viu à sua frente uma mulher enorme que imediatamente o agarrou.

– O que fazes aqui meu rapaz? – perguntou a gigante.

– Bom dia, minha senhora.- respondeu João que era bem-educado.- Subi por um pé de feijão até aqui e tenho agora muita fome.

– Com que então queres comer…- respondeu a gigante, que era na verdade a mulher de um ogre muito mau- pois eu vou sim dar-te de comer ao meu marido que gosta de comer crianças.

E dito isto, meteu-o num armário. Mais tarde, o marido, o ogre gigante e mau chegou ao castelo. Mal entrou na sala chamou a mulher e disse:

– Mulher, cheira-me a criança fresca! E eu estou cheio de fome!
– Pois vais ter um jantar especial. Vou já acender o fogo para cozinhar uma iguaria especial!

Entretanto, o gigante que estava aborrecido porque tinha que esperar pelo jantar, pediu à mulher que lhe trouxesse uma gansa que punha ovos de ouro e que mantinha cativa. Pediu ainda que ela lhe trouxesse os seus sacos de moedas de ouro que tinha roubado para se entreter.

Enquanto a gigante ia fazer o que o marido lhe tinha pedido, João conseguiu escapulir-se por uma pequena fresta do armário. Como o móvel era gigante, qualquer fresta era o suficiente para ele passar. Cuidadosamente, o rapaz foi descendo até ao chão. Chegou à sala e encontrou o gigante distraído. Então, agarrou na gansa e um saco de moedas de ouro e fugiu em direção à porta do castelo.

O gigante, apercebendo-se da falta da gansa e do saco de moedas de ouro, chamou a mulher. Ela foi verificar o armário e descobriu que o rapaz tinha fugido. O gigante disparou a correr na direçao do pé de feijão e começou a descê-lo. 

Enquanto isto, João acabou de descer o pé de feijão e foi ao encontro da sua mãe. Ela já estava preocupada com a ausência do filho. 

O rapaz contou-lhe rapidamente o sucedido e que era necessário ir cortar o pé de feijão com um machado. A mulher foi imediatamente fazê-lo. O malvado gigante ficou pendurado no pé de feijão e teve que voltar a subir para o castelo, ficando sem acesso à terra.

João e a mãe ficaram com o saco de moedas de ouro e com a gansa que punha ovos de ouro. 

A partir desse dia nunca mais tiveram dificuldades e passaram a viver muito felizes.

Setembro – A Lenda do Uirapurú

 


Setembro – A Lenda do Uirapurú

Bordado por: Magda Pina

Lenda Brasileira

Desenho: Demóstenes Vargas

Contato: magdapinaa@gmail.com

Fotografia, arte e produção: Henry Yu


A Lenda do Uirapurú

Havia na tribo Tupi um jovem que tocava maravilhosamente flauta. Apelidaram-no até de Catuboré, que significa “a flauta mágica”. Não era bonito, nem tinha enorme charme, mas por causa dos sons melodiosos da sua flauta era cobiçado por todas as moças da tribo em idade de se casar. No entanto, somente a simpática Mainá conseguira conquistar seu coração.

Marcaram o casamento para a primavera, quando na mata florescem as quaresmeiras roxas e amarelas e os fedegosos se enchem de vermelho.

Mas aconteceu uma tragédia. Certo dia, Catuboré, saiu para a pesca num lago, distante da oca. Escureceu e ele não chegava. Mainá e suas amigas passaram a noite em claro, com o coração apertado de preocupação e de maus pressentimentos.

No dia seguinte, a tribo inteira se mobilizou, procurando-o por todos os caminhos. Finalmente, não muito distante do lago, encontraram o “flauta mágica” morto e enrijecido, ao pé de uma grande árvores. Logo entenderam: uma serpente venenosa lhe havia picado mortalmente a perna. Todos choraram copiosamente, de modo especial Mainá e as moças que tanto apreciavam os sons maviosos de sua flauta. Mas como estavam distantes da oca e quase todos estavam ali presentes, resolveram enterrar Catuboré ali mesmo, ao pé da árvore que assistira sua morte.

Mainá, quando a saudade batia muito forte, vinha com suas amigas chorar sobre a sepultura do amado. Passaram-se várias semanas e as lágrimas não diminuíam. A alma de Catuboré, vendo a tristeza da amada, não conseguia ficar em paz. Chorava junto e lastimava seu infortúnio. Pediu, então, ao espírito da mata que o transformasse num pássaro, mesmo que fosse pequenino e feio, contanto que fosse cantador, capaz de consolar Mainá. E foi transformado, então, no uirapuru, que é parecido com Catuboré, pois não tem especial beleza, mas canta como ninguém na floresta, num som semelhante ao de sua flauta.

Hoje, tanto tempo depois, o uirapuru continua a cantar, embora apenas ocasionalmente, mas quando entoa seu canto belo e triste, todos os animais se sentem atraídos uns pelos outros, começam a namorar e a se beijar.  Os demais passarinhos que também cantam e gorjeiam respeitosos e atentos, se calam completamente. Só se escuta a voz do Uirapuru, consolando sua amada. Seu canto soa puro e delicado, como o de uma flauta e a Floresta Amazônica silencia em reverência ao mestre dos pássaros. Índios e sertanejos se emocionam, porém poucos têm a oportunidade de ouvir o pequeno pássaro que canta apenas alguns minutos, ao alvorecer e ao anoitecer, durante os 15 dias do ano em que constróis seu ninho.

Ao som de seu canto, homens e mulheres apressam-se a fazer pedidos, confiantes de que serão prontamente atendidos. Muitos buscam suas penas, e até mesmo pedaços do ninho, aos quais atribuem poderes mágicos. Acreditam que uma de suas pensas dará aos homens sorte no amor e nos negócios. E um pedaço de seu ninho garantirá às mulheres a paixão e a fidelidade do amado para sempre.

http://www.youtube.com/watch?v=ZTzTNMgo0NU