quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

João e o Pé de Feijão - Conto Inglês

Bordado por Rosângela Gualberto

Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe numa casinha humilde, no meio da floresta. Eles eram muito pobres e mal tinham o que comer. Mas as coisas nem sempre foram assim. Até o pai de João desaparecer misteriosamente, eles eram ricos e não lhes faltava nada.
Por sorte, ainda possuíam uma vaca, que lhes dava um pouco de leite todos os dias. Um dia, sem ter o que comer e nem leite para beber, pois a vaca estava muito velha e havia parado de dar leite, a mãe de João mandou que ele vendesse a vaca no mercado e com o dinheiro comprasse comida.
No meio do caminho, porém, João encontrou um homem que lhe ofereceu alguns feijões mágicos em troca da vaca. João trocou na hora a vaca pelos feijões. Quando chegou em casa, contou para a mãe o que havia feito e levou uma bronca. A mãe, nervosa, jogou os grãos de feijão pela janela e eles foram dormir sem comer nada.
No dia seguinte quando acordou, João viu que um enorme pé de feijão havia nascido no quintal, ao lado da janela do seu quarto. Curioso como era, João resolveu subir pelo pé de feijão, para ver onde ia dar.
Depois de horas subindo, João chegou a um lugar estranho e viu um castelo enorme. Entrou sem fazer barulho e descobriu que ali morava um gigante, que estava dormindo e roncando muito alto.
João andou por ali e descobriu que o gigante tinha uma galinha mágica que colocava ovos de ouro e muitas outras riquezas. Encontrou um grande saco de pano e, sem perda de tempo, botou tudo o que pode no saco e desceu pelo pé de feijão.
De volta à casa, João levou  bronca da mãe. Ela ficou feliz com tudo o que João havia trazido, mas ordenou que ele nunca mais subisse pelo pé de feijão. João prometeu que nunca mais iria ao castelo do gigante. Alguns anos se passaram e o pé de feijão continuava ali, firme. João um pouco mais crescido, ainda sentia vontade de voltar ao castelo. Um dia, aproveitando-se da distração da mãe, subiu o pé de feijão e tornou a entrar no castelo. Desta vez, porém, o gigante estava acordado e logo percebeu a presença do menino.
João se escondeu em um canto enquanto o gigante, com passos pesados, caminhava pelo castelo todo procurando por ele. De repente, João viu uma jaula, com um homem preso dentro dela. Aproximou-se e reconheceu seu pai, que havia desaparecido misteriosamente anos atrás. Contou-lhe que era seu filho e que estava ali para salvá-lo e levá-lo de volta para casa. O homem ficou feliz, mas advertiu João de que as chaves da jaula estavam em poder do gigante, e ele as guardava dentro da camisa, para ninguém mexer.
O gigante não parava de andar pra lá e pra cá, à procura dele. Até que ficou com fome, chamou a mulher e pediu uma enorme quantidade de comida. Comeu até não poder mais e, por fim, adormeceu. João esperou a mulher sair e, aproveitando-se do sono pesado do gigante, aproximou-se dele, abriu sua camisa e já ia pegar as chaves quando a mulher apareceu e gritou.
O gigante acordou, mas não conseguiu achar João, que, por ser bem pequeno havia conseguido se esconder rapidamente. A mulher e o gigante pensaram que João havia fugido assustado e o gigante dormiu novamente.
João esperou um tempo e voltou a se aproximar do gigante. Dessa vez, conseguiu pegar as chaves. Sem fazer barulho, foi até onde estava o pai e abriu a jaula. Os dois se abraçaram emocionados. De repente, o gigante acordou e, quando viu João e o pai abraçados, tentou agarrá-los. João pegou o pai pela mão, pedindo que não tivesse medo, e correram para o pé de feijão.
Desceram apressados e, após muitas horas, chegaram em casa. A mãe de João ficou muito feliz ao ver o marido depois de tantos anos mas, ainda assim, deu outra bronca em João. Então, eles ouviram um barulho enorme, vindo do céu: era o gigante descendo pelo pé de feijão, furioso, dizendo que iria se vingar de todos. João pegou um machado e com golpes rápidos e certeiros cortou o pé de feijão. O gigante caiu lá do alto e morreu na hora.
A partir desse dia, João e seus pais viveram muito felizes, pois agora eram ricos novamente e nunca mais ia lhes faltar nada.
Baseado em “João e o pé de feijão”. Edição Cor e Fantasia – Minuano

O Pássaro de Fogo - Conto Russo

Bordado por Marie-Thérèse Pfyffer

O Rei estava encantado e a Rainha radiante: o Príncipe acabara de nascer. Nas ruas o povo batia palmas, cantava, dançava e bebia à saúde dele. Depois das festividades, um sábio homem da Pérsia foi ver o Rei; estava com pressa porque quando um homem sábio tem uma notícia ruim, não pode guardá-la para si.
- Majestade – disse, humildemente – vim para trazer uma advertência, que me foi confiada numa visão. Vi seu filho crescer e ficar mais belo ano após ano. Mas, no fim do décimo quinto ano, o Pássaro de Fogo, veio buscá-lo e o levou para o Oeste, para que pudesse seguir seu destino, que é de unir-se à Princesa do Amanhecer.
O Rei ficou enfurecido.
- Guardas, prendam este homem, que ousou perturbar a minha paz!
Porém, quando tentaram agarrá-lo, as mãos dos guardas só encontraram o ar e eles trombaram uns com os outros. E o Rei viu uma fina fumaça cinza sair pela janela e desaparecer na luz do sol. Soube então que o sábio tinha falado a verdade e, daquele momento em diante, guardou ansiosamente o jovem Príncipe.
Quando o Príncipe entrou no seu décimo quinto ano, o Rei o prendeu numa torre alta no meio dos jardins do palácio, mas também lhe deu todo o luxo e conforto, porque o amava muito. Uma grande festa foi organizada para seu aniversário, e o Príncipe teria que se contentar em ver as comemorações da sua janela na torre. Ele implorou a permissão de sair, mas o Rei temia tanto perdê-lo que recusou e o deixou trancado a sete chaves.
O Príncipe, ao ouvir os sons da festa, decidiu desobedecer. Ao anoitecer cortou um tapete em tiras e trançou uma corda com a qual desceu pela janela até o jardim. Começou a caminhar, respirando o ar fresco da noite. De repente avistou ao longe uma luz no meio das árvores. Aproximou-se e descobriu uma vasta caverna com um lago cristalino. E neste lago estava a coisa mais bela que o Príncipe jamais vira: numa moldura de cristal, o retrato de uma linda Princesa cujos olhos encontraram os seus. E o desejo de conhecê-la encheu o coração do Príncipe.
Perto do lago, gigante e esplêndido, o Pássaro de Fogo se preparava para voar, esticando o pescoço, batendo as asas; cada pluma lançava raios que iluminavam tudo ao redor. Olhou para o Príncipe como que dizendo: Não quer voar comigo pelos ares até a Princesa do Amanhecer? O Príncipe se acomodou nas costas do Pássaro de Fogo que alçou vôo, subindo tão alto no céu que quem olhava para cima pensava ter visto passar um meteoro.
Quando o horizonte se tingiu do rosa, o Pássaro de Fogo pousou nos jardins do palácio de cristal do Amanhecer. E o Príncipe viu a Princesa do retrato dormindo no meio das flores. Aproximou-se e tentou acordá-la, soprando nas suas pálpebras, murmurando no seu ouvido, mas ela nem se mexeu. O Pássaro ficou impaciente, pegou o Príncipe no bico e o colocou nas suas costas. Levou-o de volta à caverna, onde o Príncipe passou o dia, com medo que o descobrissem.
Na noite seguinte, voltou para perto da Princesa e tampouco conseguiu acordá-la. Mas, na terceira noite, a Princesa acordou sozinha e viu o Príncipe sentado ao seu lado. Com seu bico, o Pássaro arrancou uma pena de uma asa, a deixou cair aos seus pés e alçou vôo.
Olharam um para o outro. Ela se sentia como se tivesse sonhado com ele a vida toda, para enfim acordar e encontrá-lo. Ele se sentia como se tivesse alcançado o paraíso. Andaram entre as flores e as árvores e todos os pássaros entenderam e cantaram para eles.
Ao anoitecer, a irmã da Princesa, que era uma bruxa, veio ao jardim e escondeu-se para espiá-los. Cheia de inveja, ela lançou um feitiço que deixou o Príncipe como morto nos braços da Princesa; apavorada e com imensa dor, ela chamou seu nome, mas ele não reagiu. Seus ouvidos estavam surdos, seus olhos fechados, não respondia aos seus beijos. A Princesa entendeu que a bruxa tinha tirado e escondido o coração do Príncipe. Ela sabia entretanto: continuava batendo, cheio de vida e de amor por ela.
Descobriu que a irmã tinha saído do palácio montada no cavalo mais veloz. Como poderia segui-la e obrigá-la a devolver a vida para o Príncipe? Lembrou então da pena do Pássaro de Fogo que ela tinha guardado. Com certeza tinha poderes mágicos! A Princesa olhou para a pena, que cintilou e vibrou na sua mão. Desejou que o pássaro a levasse até o coração do Príncipe. Apenas formulado o desejo, ouviu o barulho estrondoso das asas do Pássaro de Fogo que pousou perto dela e a convidou a subir nas suas costas. Ela se aconchegou sobre suas penas macias. Ele alçou vôo e subiu rapidamente bem alto no céu. Deixava um rastro de fogo que iluminava as montanhas e as florestas. Passou pelo sol poente e entrou na Terra da Noite e do Silêncio.
O Pássaro pousou na entrada de uma caverna escura. Arrancou duas penas e as entregou à Princesa. Ela viu que sua luz podia iluminar seu caminho e entrou. Caminhou um pouco e ouviu de longe sua irmã cantando para o coração do Príncipe que tinha escondido num caldeirão. A Princesa correu até o caldeirão e o entornou. Foi tão rápida que a bruxa não pôde impedir e a salmoura do caldeirão respingou no seu rosto. Ela deu um grito horrível e caiu – morta.
Com cuidado, a Princesa pegou o coração de seu amado e o colocou sobre seu peito, pertinho do seu. Então correu até o Pássaro de Fogo que a levou de volta para o Palácio do Amanhecer. Quando abraçou o Príncipe, sentiu seus corações batendo juntos de novo.
O Pássaro alçou vôo mais uma vez, mas tão silenciosamente que não o ouviram. Durante a festa do casamento da Princesa com o Príncipe puderam vê-lo voando alto em largos círculos, sobre o palácio de cristal do Amanhecer.
Reinaram durante longos anos. A cada aniversário de casamento, o Pássaro de Fogo voltava. Eles não o viam, apenas ouviam o bater de suas asas. Sempre trazia como presente uma de suas penas, para que pudessem realizar um desejo seu.

Alice no País das maravilhas - Lewis Carroll


Bordado por Ilka Finotti

Sentada no jardim com sua irmã, Alice vê passar o Coelho Branco de colete, apressadíssimo, carregando um relógio de bolso. Segue-o até à sua toca, entra atrás dele e cai num poço profundo com paredes cobertas de prateleiras cheias de objetos estranhos e livros. Finalmente aterrissa segura num átrio onde vê uma mesinha de vidro e, em cima dela, uma pequena chave dourada. Ela descobre que a chave abre uma pequena porta que dá para um lindo jardim. No entanto, a porta é muito pequena para ela conseguir passar. Alice bebe de uma pequena garrafa com uma etiqueta BEBA-ME e diminui de tamanho. Infelizmente, esqueceu a chave em cima da mesa e agora não consegue alcançá-la. Descobre debaixo da mesa uma caixinha com um bolo com as palavras COMA-ME e, ao comê-lo, o tamanho de Alice aumenta e ela fica enorme.
Alice cresce até atingir nove metros de altura. Chora tanto que cria um lago de lágrimas. O Coelho Branco atravessa o átrio e, ao ver Alice tão grande, foge deixando cair as luvas e o leque que trazia. Alice os apanha do chão, e como faz calor, não para de refrescar-se com o leque o que, sem que ela perceba, reduz a sua altura; felizmente ela para de abanar-se antes de desaparecer totalmente. Entretanto escorrega e mergulha até ao pescoço no lago de lágrimas que ela própria criou. Aí encontra o Rato que a ajuda a atravessar. Na margem encontram uma grande quantidade de animais, todos molhados, que tentam arranjar uma solução para secarem seus pêlos e suas penas. Um dodo decide que os todos devem correr em círculos.
O Coelho Branco passa por Alice e, confundindo-a com a sua empregada, fica bravo e ordena que vá até sua casa e traga imediatamente umas luvas e um leque. Assustada, Alice obedece. No quarto do Coelho Branco ela encontra uma garrafa, que ela bebe porque está cansada de ser to pequena. O seu tamanho aumenta até ela ocupar toda a casa, um braço saindo pela janela e um pé pela chaminé. Impedido de entrar, o Coelho Branco manda o seu servo, um lagarto chamado Bill, entrar pela chaminé, mas Alice lhe dá um pontapé que o faz voar longe. O Coelho Branco começa a atirar pedras para a janela que, quando caem no chão, transformam-se em bolos com uma aparência deliciosa. Alice come alguns e fica pequena de novo. Consegue sair da casa e foge para um denso bosque, onde encontra a Lagarta Azul sentada num cogumelo, fumando calmamente o seu cachimbo de água.
A Lagarta Azul ensina que um dos lados do cogumelo faz crescer e a outra diminuir. Alice tenta primeiro o lado direito e diminui tanto de altura que até acerta com a cabeça nos próprios pés. Experimenta então o lado esquerdo e cresce de tal forma que atinge a copa de uma árvore. Imediatamente come mais um pedaço do cogumelo e volta ao seu tamanho normal.
Alice encontra o Gato de Cheshire e lhe pergunta que caminho seguir. O gato diz que se ela não sabe onde ir, qualquer caminho serve,  acrescentando que todos são loucos, inclusive ele próprio e Alice, e sugere que ela faça uma visita ao Chapeleiro Maluco. E desaparece lentamente, deixando apenas o seu sorriso.
Alice chega numa festa de chá louca, onde estão presentes o Chapeleiro Maluco, o Coelho Branco, a Lebre de Março e o Arganaz, que fica dormindo. O Chapeleiro Maluco revela que vive bebendo chá porque o Tempo parou às 6 da tarde, a hora do chá. Todos eles falam coisas sem pé nem cabeça e desafiam Alice com enigmas lógicos que não têm resposta. Alice sente-se insultada e cansada e sai afirmando que esta era a festa mais estúpida em que já tinha ido. Mais adiante abre uma porta no tronco de uma árvore e, chega no átrio inicial. Desta vez, destranca primeiro a pequena porta, depois come um pedaço do cogumelo que estava guardado no seu bolso, e entra finalmente no tão desejado jardim.
No jardim vê três cartas de um baralho discutindo entre si enquanto pintam rosas brancas com tinta vermelha, dado que a Rainha de Copas odeia rosas brancas. Mas são interrompidos por uma procissão de cartas, onde estão presentes os reis, as rainhas e até mesmo o Coelho Branco. Alice conhece então o Rei e a Rainha de Copas. A Rainha é sempre de mau humor e grita “Cortem-lhe a cabeça!” assim que alguém lhe desagrada. Alice é convidada para jogar uma partida de críquete com a Rainha e o resto dos seus súbitos. Mas o jogo é um caos porque usam flamingos vivos como marretas, ouriços vivos como bolas e cartas vivas como balizas. Aparece a cabeça do Gato de Cheshire e a Rainha de Copas ordena que seja decapitado. Mas o capataz se recusa a cortar cabeças sem corpo.
O Valete de Copas é levado a julgamento, acusado de roubar as tortas da Rainha. No jurado há doze animais, incluindo o lagarto Bill; o juiz é o Rei de Copas e o cargo de oficial de diligências é desempenhado pelo Coelho Branco. A primeira testemunha é o Chapeleiro Maluco, que não ajuda em nada, mas torna o Rei impaciente. A segunda testemunha é uma cozinheira. A outra testemunha é a própria Alice que, desde o início do julgamento, começou a crescer novamente e derruba acidentalmente os jurados.  
O Rei ordena que “todas as pessoas de dois quilômetros de altura” saíssem, mas Alice se recusa a obedecer. A Rainha ordena tipicamente “Cortem-lhe a cabeça!” Alice não tem medo porque já é muito alta e eles, afinal, são apenas um baralho de cartas. Nisto o baralho todo ataca.
Ela se debate e, de repente, acorda deitada no colo da irmã, que está tirando do seu rosto folhas que caíram. Alice lhe conta tudo o que aconteceu no seu estranho sonho.

A Origem dos Índios Karajá - Uma Lenda Brasileira

Bordado por Vani Luíza Cipriano
No início dos tempos, quando foram criados pelo Ser Supremo – KANANCIUÉ - , os Karajá eram imortais. Viviam felizes como peixes – aruanãs. Não conheciam nada que não fosse dos rios e das águas. Não conheciam o sol, nem a lua, nem as plantas. Nem animal algum que não fosse dos rios.
No fundo do rio onde viviam havia um buraco pelo qual vinha uma luz que os fascinava. Essa luz ressaltava as cores das escamas e de tudo que existia por perto. Quando se aproximavam daquele buraco, ficavam curiosos. Tentavam ver com ansiedade o que era aquilo. Por causa da luminosidade, não conseguiam divisar o que existia além do buraco.
Como seria do outro lado? Perguntavam-se.
Mas o Ser Supremo havia proibido que entrassem ali. Senão, perderiam a imortalidade. E apesar da tentação, eles obedeciam fielmente.
Certo dia, um jovem Karajá, um aruanã mais audacioso, ousou e foi ver o que existia do outro lado daquele buraco luminoso. Ficou surpreso quando chegou às areias brancas do rio Araguaia e descobriu encantado um mundo maravilhoso, totalmente diferente do seu. Uma paisagem deslumbrante.
Viu o céu de um azul profundo com um Sol radiante iluminando e aquecendo a natureza. Pássaros multicoloridos se misturavam no ar com muitos matizes. Escutou a música do canto das araras, periquitos e sabiás. Muitos animais estavam em paz, um do lado do outro: tamanduás, onças, cutias. Nas campinas, flores perfumadas. Nas florestas, árvores carregadas de frutos.
O jovem Karajá andou por essas maravilhas até o anoitecer, quando, então, descobriu outro cenário ainda mais  bonito: a Lua despontava prateada iluminando as montanhas ao longe. Constelações de estrelas iluminavam o céu.
Ele passou a noite deslumbrado até ver renascer o Sol no horizonte. Resolveu voltar ao buraco luminoso, descrever para os seus irmãos e irmãs peixes tudo que tinha visto.
Com os olhos cheios de beleza, contou o que tinha acontecido e o que tinha observado: 
     __ Passei pelo buraco luminoso, descobri um mundo que nunca havia imaginado e que vocês também não podem imaginar. Com alegria no coração, contemplei o Sol e os animais. Os campos e as florestas. Sob a luz da Lua, vi as montanhas e muitas estrelas. Escutei música vinda dos pássaros e dos riachos. Vamos todos até lá?
Todos os seus irmãos Karajá, mesmo sem entender tudo que ouviram, quiseram logo acompanhar o jovem afoito. Mas os mais experientes, os anciãos, disseram com grande sabedoria:
- Irmãos e irmãs, temos que respeitar nosso Criador, que nos quer bem e nos fez imortais assim como ele. Vamos falar com ele e pedir-lhe a permissão.
Todos os aruanãs concordaram e assim fizeram. Depois de ouvi-los, o Criador – Kananciué – respondeu, com um pouco de tristeza por causa da desobediência do jovem:
- Entendo que queiram transpor o buraco luminoso, que os levará deste mundo a outro de cores e beleza. Lá, poderão contemplar a majestade do Sol, o esplendor das estrelas, a suavidade da Lua. Descobrirão flores, frutos e animais. Poderão se divertir e deliciarem-se com as águas claras do rio Araguaia e suas areias brancas. Dançar ao som do canto dos pássaros. Mas revelo a vocês o que não sabem, nem veem. Toda a beleza naquele mundo é efêmera como a borboleta das águas que conhecem, que nasce hoje e desaparece amanhã. Os seres de lá não são como vocês: nascem, crescem, envelhecem e caminham para a morte. São mortais. Vocês ganharão a liberdade, mas perderão a imortalidade. A decisão é de vocês. O que decidem? O que escolhem?
Houve um grande silêncio. Todos olharam para o jovem que descobrira o mundo da liberdade. Todos estavam fascinados com a possibilidade de viver a beleza, confirmada pelo Ser Supremo – Kananciué . Então, responderam:
- Sim, pai, queremos ir viver no paraíso encantado dos mortais.
O Ser Supremo falou com eles pela última vez:
- Aceito a decisão de vocês porque acima de tudo prezo a liberdade. Vocês trocarão a imortalidade pelo dom precioso da liberdade. Saibam que quando passarem por aquele buraco, vocês serão mortais, mas totalmente livres. Não deixem que lhes roubem a liberdade.
E todos aqueles aruanãs passaram entusiasmados pelo buraco luminoso para chegar ao mundo da beleza efêmera e alegrias finitas.
Até hoje os Karajá vivem naquele paraíso, às margens do rio Araguaia. Concentram-se, principalmente, na ilha do Bananal. Tiveram a coragem de renascer como seres de liberdade, o que continuam sendo até hoje.
Baseado em “Aceitar a morte para ser livre” in “O casamento entre o céu e a terra; contos dos povos indígenas do Brasil” de Leonardo Boff. Edição Salamandra.

Bambi - Felix Salten

Bordado por Rachel B. de Oliveira

Chegou a primavera e com ela nasceu Bambi, um filhote de cervo. A floresta fica animada com este acontecimento muito especial e todos vêm visitar: o esquilo, a ratinha, os coelhos, a coruja, o guaxinim, os  passarinhos.
Bambi consegue levantar-se e equilibrar-se nas quatro patas. Há muitas coisas para ver, que ele descobre com a ajuda do coelhinho Tambor e seus amigos. Ele observa as borboletas de mil cores, as codornas, os morcegos de cabeça para baixo, as toupeiras que cavam longas galerias e não gostam do sol, os coelhos  saltitantes, o gambá Flor e diversos pássaros com seus bicos e penas multicoloridos.
Um dia a mãe o leva para a planície, um lindo lugar cheio de grama e flores. Mas ela explica que é perigoso porque não tem como se esconder dos homens. Lá ele conhece a corça Falina. E encontra seu pai, um cervo majestoso, o Príncipe da Floresta.
Depois de meses de vida despreocupada e feliz chega o inverno. Bambi, ao acordar, é surpreendido com a mudança do bosque. Quando ele tenta andar, suas patas afundam numa coisa branca, fria e macia: as árvores, os arbustos e a grama ficaram cobertos de neve. O coelho Tambor o leva para deslizar no lago gelado onde é impossível para Bambi ficar de pé. Ele sempre acaba caindo.
No fim do inverno, enquanto procuram grama para comer na planície, Bambi e sua mãe são surpreendidos por caçadores e têm que fugir em desespero. Bambi, que se perdeu de sua mãe, procura em vão por ela. Fica sabendo pelo seu pai que não a verá mais.
Chega a primavera. Todos cresceram e os amigos de Bambi começam a namorar: o coelho com a coelhinha, o gambá com a gambazinha. Bambi e Falina se acariciam com o focinho e descobrem que estão apaixonados. Quando um outro cervo quer pegar Falina, Bambi fica bravo, luta e o derruba, vencendo a disputa.
No dia seguinte, Bambi sente um cheiro de fumaça. A floresta está em chamas! Todos os animais da floresta estão fugindo. Seu pai vem ajudá-lo a escapar e juntos conseguem alcançar um lugar seguro, uma ilha no meio do rio onde o fogo não os atingirá. Ali já esperam Falina e seus amigos.

A Rainha da Neve - Andersen

Bordado por Zélia Melo
Um maldoso anão tinha fabricado um espelho mágico, que transformava em más pessoas, todos os que nele se olhassem. Mas o espelho quebrou-se e seus pedaços se espalharam pelo mundo. Dois deles foram para uma sacada onde brincavam duas crianças, Gerda e Pedro, e penetraram nos olhos e no coração do menino que, naquele momento, se transformou no pior garoto da cidade.
Um dia de inverno, Pedro passeava pelas ruas cobertas de neve no seu pequeno trenó quando viu passar um grande trenó branco. Enganchou o seu trenó naquele e foi arrastado numa corrida vertiginosa. Logo viu, com terror, o misterioso veículo sair das muralhas da cidade e precipitar-se pelos campos. Por fim, o trenó se deteve e dele desceu a Rainha das Neves, completamente vestida de branco, que se inclinou para o menino e lhe deu um beijo gelado. Ao sentir aquele beijo, Pedro adormeceu. A Rainha o tomou nos braços e o levou ao seu longínquo país.
Os dias passaram e Gerda esperava Pedro, que não voltava. Afinal, resolveu ir procurá-lo pelo mundo. Dirigiu-se para o rio, subiu numa barquinha e deixou-se levar pela correnteza. A embarcação, depois de muito navegar, foi deter-se num jardim cheio de flores onde havia uma velha, que acolheu carinhosamente a menina Gerda e a conduziu a uma pequena casa feita de vidros coloridos. Ali penteou-a com um pente mágico e a menina se esqueceu de tudo e ficou naquele jardim encantado vivendo muito feliz. Um dia, entretanto, viu umas rosas, que lhe recordaram o roseiral que plantara com a ajuda de Pedro na pequena sacada de sua casa. Então lhe veio à mente a lembrança do amigo desaparecido. Resolvida a encontrá-lo, fugiu para o bosque e caminhou muito, sem sentir-se cansada, até que encontrou uma menina, que morava numa casa meio em ruínas. A desconhecida, ao ouvir a história de Gerda, quis ajudá-la e levou-a para sua casa, onde perguntou aos pombos, pousados no telhado, se sabiam alguma coisa a respeito de Pedro. “Sim!” responderam eles, “A Rainha das Neves o levou com ela”. 
A menina do bosque deu-lhe, então, um magnífico cervo, que possuía havia tempo, dizendo ao animal: “Devolvo a sua liberdade mas, em troca, leve esta minha amiga ao palácio da Rainha das Neves, que se acha em seu país.” Em seguida, ajudou Gerda a montar no animal, que partiu em disparada. Atravessaram campos, bosques, pântanos e, por fim, chegaram à Finlândia, onde estava situado o castelo da Rainha e o cervo fez a menina descer no jardim.
Ao ficar sozinha, Gerda viu caírem a seu redor grandes flocos de neve, que se juntaram, procurando afogá-la. Mas a menina rezou com fervor e, imediatamente, tudo se acalmou. Então, a menina entrou no castelo, onde encontrou Pedro, que estava só e não a reconheceu. Gerda o abraçou, chorando, e suas lágrimas penetraram no coração do menino, fizeram sair o fragmento do espelho que havia encravado nele. Pedro também chorou e, desse modo, o outro fragmento que havia penetrado nos seus olhos, também saiu. O menino, só então, reconheceu sua pequena amiga e com ela fugiu daquela prisão gelada. O cervo os esperava para levá-los de volta ao seu país.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Detalhes do Calendário


Tecendo Histórias: um ano de muita magia e encanto!
É assim que apresentamos os detalhes deste nosso trabalho!
Somos doze bordadeiras de Belo Horizonte, Minas Gerais que, pelo segundo ano, bordamos e fotografamos nossos trabalhos e divulgamos em forma de Calendário.



Detalhes do Calendário.


Tamanho: 35cm X 35cm
Imagem dos bordados: 30cm X 22cm
Papel: Couché
São doze folhas, para os doze meses do ano.
Folha de rosto e folha de fundo.
Valor: R$30,00 mais o frete (se necessário)



Para comprar, entre em contato com as bordadeiras!

Cidades: Belo Horizonte e Uberlândia / Minas Gerais  -  Brasil





Apresentaremos detalhes de parte dos bordados para uma pequena demonstração!

 A Guardadora de Gansos – Irmãos Grimm
Bordado por: Niná Ligia de Castro
Tel: (31) 9971-7555  E.mail: veninabh@terra.com.br       

   


O Brâmane, o Tigre e o Chacal - Conto Indiano 
Bordado por: Neuza Vieira de Oliveira 
Tel: (31) 3337-7026  E-mailnemabh25@yahoo.com.br   

    
Peter Pan – James Mathew Barrie
Bordado por: Liliana Viotti
Tel: (31) 8868-9681   E-mail: lilianaviotti@gmail.com



 Polegarzinha – Andersen 
Bordado por: Selma Fabrini 
(31) 3223-2009


O Gato de Botas – Perrault
Bordado por: Regina C. Drumond
Tel: (31) 3226-6625  E-mail: reryreine@gmail.com                 



Pinóquio – Carlo Collodi 
Bordado por: Malu Furtado 
Tel: (31) 9335.1595   E-mailmalu.furtado@globo.com


João e o Pé de Feijão – Conto Inglês 
Bordado por: Rosangela Gualberto


O Pássaro de Fogo – Conto Russo
Bordado por: Marie-Thérèse Pfyffer
  
 Alice no País das Maravilhas – Lewis Carrol
Bordado por: Ilka Finotti 
Tel: (34) 9110-4226  E-maililka@ilka.finotti.nom.br 


 A origem dos Índios Karajá - Uma lenda brasileira
Bordado por: Vani Luiza Cipriano 
Tel: (31) 3226-8207  E-mail: vanicipriano@gmail.com


Bambi – Felix Salten
Bordado por: Rachel Bianchini de Oliveira
                           E-mail: rac_lubi@hotmail.com                                                 


 A Rainha da Neve – Andersen
Bordado por: Zélia Melo
Tel: (31) 9984-5072   E-mailmelozelia@terra.com.br

Obrigado!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Calendário 2012 - Tecendo Histórias


Olá Pessoal!!!

O nosso Calendário 2012 já está pronto!
Maiores informações, escrevam para:
ilka@ilka.finotti.nom.br


Veja quais Contos Bordamos:

  • A Guardadora de Gansos – Irmãos Grimm

Bordado por: Niná Ligia de Castro

  • O Brâmane, o Tigre e o Chacal - Conto Indiano

Bordado por: Neuza Oliveira

  • Peter Pan – James Mathew Barrie

Bordado por: Liliana Viotti

  • Polegarzinha – Andersen

Bordado por: Selma Fabrini

  • O Gato de Botas – Perrault

Bordado por: Regina C. Drumond

  • Pinóquio – Carlo Collodi

Bordado por: Malu Furtado

  • João e o Pé de Feijão – Conto Inglês

Bordado por: Rosangela Gualberto

  • O Pássaro de Fogo – Conto russo

Bordado por: Marie-Thérèse Pfyffer

  • Alice no País das Maravilhas – Lewis Carrol

Bordado por: Ilka Finotti

  • A origem dos Índios Karajá - Uma lenda brasileira

Bordado por: Vani Luiza Cipriano

  • Bambi – Felix Salten

Bordado por: Rachel Bianchini de Oliveira

  • A Rainha da Neve – Andersen

Bordado por: Zélia Melo



Publicaremos as estórias futuramente. Aguardem!!!


domingo, 19 de dezembro de 2010

Calendário 2011

O sucesso do nosso Calendário 2011 - Um ano de contos de Fadas, nos possibilitou a fazer uma nova tiragem, fizemos mais 300 calendários!



Aqueles que não conseguiram comprar, aproveitem!


Entrem em contato no e-mail: ilka@ilka.finotti.nom.br.





Bom Natal e Feliz Ano Novo à todos!!

domingo, 28 de novembro de 2010

Vencedoras do Sorteio do Bazar

Comunicamos as Vencedoras do Sorteio

Os produtos sorteados serão entregues a Vani, que entregará as ganhadoras.
Entraremos em contato.

Blusa de Algodão bordada, sorteada: Heloisa Froede


Paninho bordado Vani, sorteada: Rosangela Pacheco M. Gualberto

Forrinho de Crochê Helenice, sorteada: Rachel Bianchini
Bolsinha Márcia, sorteada: Iara Barbosa de Faria e Silva


Blusa Niná, sorteada:Maria Tereza Ribeiro




O Bazar 2010

Agradecemos a presença de todos!

Obrigado pela visita ao nosso Bazar!
Para quem não pode comparecer, registramos este encontro.